Se é verdade que algoritmos já são responsáveis por definir dezenas de fatores nas nossas vidas, desde músicas recomendadas até o próximo destino das férias, também é verdade que novas formas de pensar a utilização de dados pessoais, inteligência artificial e até edição genética não param de surgir junto de novidades tecnológicas. Mais que o sucesso ou fracasso dessas tecnologias, o debate sobre elas e as tendências que resultam dessas mudanças são o ponto principal da 4ª edição Wired Festival Brasil, que aconteceu nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro na Casa França-Brasil e no Centro Cultural Correios, no Centro do Rio.
Entre diversas atividades disponíveis, como debates, workshops e palestras, a edição deste ano teve como tema  “O futuro do homem e o homem do futuro”, destacando desde cientistas até influenciadores digitais.
A humanidade tem vivido mais tempo, mas essa amplificação da expectativa de vida não tem sido acompanhada pelo aumento da saúde. É possível envelhecer sem adoecer? Essa foi a questão que orientou a palestra “A era da longevidade”, da endocrinologista Vania Assaly, especialista na área de medicina do estilo de vida e Diretora científica da Lalma (Latin American Lifestyle Medicine Association). Sua apresentação concluiu o primeiro dia do Wired Festival, que aconteceu na Casa França-Brasil e no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio.
— A expectativa de saúde requer um investimento a longo prazo, não adianta começar aos 75 anos. Cada década depois dos 65 anos a correnteza do envelhecimento vai ficando mais forte, nos tornamos mais vulneráveis. O que nos ampara nessa linha do tempo depende de cada um.
Vania explicou a diferença entre idade cronológica, social (que diz respeito às coisas que fazemos socialmente) e a bióloga (que envolve parâmetros físicos e mentais). Também afirmou que “genética não é destino”, mas uma história a ser vivida através de experiências que permitem direcionar o processo de envelhecimento a um rumo saudável.
— Nossas escolhas modificam o saldo biológico para a saúde ou o bem-estar. Se fizermos uma boa escolha em relação ao estilo de vida, boa parte das doenças crônicas são reduzidas. Esse é o melhor investimento que podemos fazer na nossa saúde.
A médica lembrou ainda que experiências de impacto afetivo marcam os indivíduos, tanto negativa quanto positivamente, e que a gestão da saúde (tanto a física quanto a psíquica) na infância é crucial para um desenvolvimento correto do cérebro.
— A melhor coisa para fazer em termos de saúde é investir nos primeiros anos. A prevenção através da dieta materna, de uma suplementação correta, exposição a afeto, amparo, nutrição e educação vão trazer mais neurônios. Tudo isso interfere na nossa história.
Norberto Fischer, um dos palestrantes, é um conhecido ativista pró-maconha medicinal no Brasil. No festival, ele falará sobre sua luta pessoal para o uso terapêutico do canabidiol (CBD) no tratamento de sua filha Anny, que sofria com convulsões constantes até conseguir o direito de acesso à substância em 2014, tornando-se a primeira brasileira autorizada judicialmente a utilizar o derivado da cannabis. Em entrevista ao GLOBO , Fischer adiantou suas expectativas sobre a maconha medicinal no país, o que falará com mais detalhes no festival:— Tem muito o que melhorar, mas já avançamos muito. São vários aspectos para se avaliar, sendo o primeiro deles o preconceito. Antes, a palavra maconha era muito malvista, mas o preconceito já diminuiu muito. Aos poucos, as pessoas estão conhecendo, entendendo o potencial da planta para a medicina. No aspecto da importação, era impossível — afirmou ele na ocasião.
James Dahlman, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Geórgia, vai contar detalhes sobre suas pesquisas com nanotecnologia e modernas técnicas de edição genética. Em entrevista ao GLOBO , ele afirmou que está “ansioso para compartilhar experiências com os brasileiros”.Já a dinamarquesa Anne-Marie Dahl, outra convidada do festival, é formada em Ciências Sociais e Psicologia, fundadora do Instituto Futuria e uma das futurólogas mais respeitadas do mundo. Analisando tendências dos últimos anos ela falará sobre as expectativas que rondarão as relações sociais e de trabalho no futuro.
— Ciência do futuro é parte das Ciências Sociais e está intimamente ligada à Sociologia nos métodos e teorias. Ela tenta prever desafios, mas claro que, em se tratando desse tema, não há como garantir. Como futurista, você estuda as chamadas megatendências e como elas podem afetar as pessoas — afirmou ela à Revista ELA em na última semana .

O Wired Festival foi uma realização de Edições Globo Condé Nast e O Globo, com patrocínio master da Petrobras; patrocínio da Embratel, AMBEV e Johnnie Walker; apoio grupo Pão de Açúcar e do RioCard; participação WeWork; e produção SRCOM.

O Globo Online

 

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.




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