As conclusões dos participantes do 1º Seminário Internacional sobre Educação e Saúde na Terceira Idade, encerrado nesta quinta-feira (5) na Câmara dos Deputados, foram de que há leis suficientes para proteger o idoso – o que falta é colocá-las em prática por meio de políticas públicas.

Na visão dos debatedores, muitas ações efetivas estão atrasadas em relação à mudança no perfil demográfico do País, que tem passado por um processo de envelhecimento acelerado da população. Para a promotora Rosana Bevervanço, do Ministério Público do Paraná, esse atraso provoca situações como o internamento de idosos que não precisariam estar nas instituições de longa permanência.

“Asilamento é exceção. É apenas para aqueles que não têm família ou famílias sem condições de arcar com os cuidados”, disse.

Assistência social

A professora Maria Iolanda de Oliveira, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), celebrou o fato de que, graças ao envelhecimento da população, a assistência social está deixando o caráter de filantropia e concessão de um favor para se tornar um direito social, a fim de atender principalmente a grupos vulneráveis e ameaçados de exclusão.

Sofia Pavarini, da Universidade Federal de São Carlos, salientou a importância da intergeracionalidade, ou seja, da integração entre as diversas faixas etárias, para manter o bom nível de saúde do idoso. Ela destacou a necessidade de políticas públicas de saúde voltadas para toda a vida.

Educação

A chamada “aprendizagem ao longo da vida” também mereceu destaque nos debates do seminário, organizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Rita de Cássia Oliveira, presidente da Associação das Universidades Abertas da Terceira Idade (Abrunati), informou que 180 instituições em todo o País possuem cursos de ensino permanente para os mais velhos.

“Por meio da educação, o idoso consegue fazer coisas que ele não pôde fazer durante a juventude ou a idade madura porque tinha de se dedicar à família ou ao trabalho”, apontou.

O professor José Alberto Yuni, da Universidade Nacional de Catamarca, na Argentina, mostrou como é essa educação para idosos em várias nações da América Latina.

“Na Costa Rica, o currículo é mais flexível. Na Argentina, os alunos são estimulados a aplicar o que aprenderam em suas comunidades. No Chile, a ênfase é no empreendedorismo. E em Cuba, além das aulas teóricas, há trabalhos de campo”, destacou.

Na quarta-feira (4) o consenso dos participantes foi a importância da promoção do envelhecimento saudável, respeitando o fato de que a velhice é heterogênea, assim como os idosos. “Uns são mais ativos; outros nem tanto. É preciso garantir políticas públicas que atendam tanto os mais frágeis e quanto os mais autônomos”, afirmou a deputada Leandre (PV-PR), 2ª vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, colegiado da Câmara dos Deputados que organizou o evento.

Essa heterogeneidade da chamada terceira idade também foi ressaltada por Ricardo Iacub, da Universidade de Buenos Aires. Ele salientou os diferentes modelos de velhice e os custos altos da solidão para os idosos.

O professor comemorou o fato de que a terceira idade não é mais vista somente como fim da vida, porém lamentou que um dos seus temas de estudo, a sexualidade, ainda cause estranheza quando relacionada aos maiores de 60 anos. “As pessoas idosas que exercitam seu erotismo vivem mais anos, têm melhor nível de saúde, com menos dor”, disse.

Um exemplo de envelhecimento ativo aconteceu ao vivo durante o seminário: o deputado Sérgio Reis (PRB-SP), aos 78 anos, mobilizou a plateia com um pequeno show de repertório sertanejo.

Agência Câmara Notícias

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.




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