Dados coletados pelo Ministério dos Direitos Humanos mostram que, em 2017, 52% das violações contra idosos foram praticadas pelos próprios filhos.Os netos aparecem como responsáveis em 8% dos casos. As violações mais frequentes são negligência, violência psicológica e física e abuso financeiro.Os dados serão divulgados ainda hoje pelo ministro Gustavo Rocha.Foram compiladas informações de todos os canais de ouvidoria da pasta, incluindo o Disque 100 e o aplicativo Proteja Brasil. Coluna Lauro Jardim O Globo, 3 de maio de 2018

No Ano do Idoso, o diagnóstico da Comissão de Representação sobre os Direitos dos Idosos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sobre os principais problemas dessa população foram: falta de políticas públicas específicas para os idosos, não cumprimento da legislação e precariedade dos abrigos. Entretanto, faltou mencionar uma queixa que talvez seja a que mais nos desconcerta : a crescente violência contra o idoso dentro da própria família.

O Disque 100 – principal meio para comunicar violações de direitos humanos no país – recebeu 142.665 denúncias no último ano (2017), número superior às 133.061 registradas em 2016. A violência contra pessoas idosas gerou 33.133 denúncias e 68.870 violações. Nas denúncias de violações, 76,84% envolvem negligência, 56,47%, violência psicológica, e 42,82%, abuso financeiro e econômico. A maior parte dos casos, 76,3%, ocorre na casa da própria vítima.

Um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência em todo o mundo, mostra relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na revista Lancet Global Health. A OMS  chama atenção para a urgência de ações integradas que possibilitem melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem. Os conceitos de envelhecimento ativo, positivo e saudável enfatizam o processo de otimização das oportunidades para sua saúde, sua participação social e sua segurança.

Segundo o estudo, 16% das pessoas com mais de 60 anos sofreram algum tipo de abuso. Entre os casos, estão negligência e violência psicológica, física e sexual.

Os dados foram coletados de 52 estudos realizados em 28 países e indicam que a violência contra idosos está aumentando. Segundo a OMS, “para os 141 milhões de pessoas idosas no mundo que sofrem com o problema, isso tem um custo individual e coletivo sério”.

No caso brasileiro, as violências contra a geração acima de 60 anos se expressam sob as mais diferentes formas. No âmbito das instituições de assistência social e saúde são frequentes as denúncias de impessoalidade, maus tratos e negligências. E, nas famílias, abusos e negligências, discriminações e preconceitos, choque de gerações, problemas de espaço físico, dificuldades financeiras, costumam se somar a um imaginário social que considera a velhice como ‘decadência’ do ser humano.

Como país membro da ONU, o Brasil possui hoje um conjunto de leis e dispositivos excelentes que se baseiam nas Convenções Internacionais e que são da maior importância para fundamentar o envelhecimento saudável. No entanto, a prática está longe da teoria da mesma forma que a intenção está longe do gesto.

Um passo importante é começar investir na prevenção das situações que aumentam a probabilidade de a pessoa idosa se tornar dependente ou de acumular comorbidades (uma ou mais doenças, o que a torna muito dependente).  Como já dissemos, o idoso/a dependente é o que tem maiores probabilidades de sofrer violências institucionais, sociais, culturais e familiares.

Embora o número que hoje necessita de cuidados especiais seja relativamente pequeno em comparação com o número total da população brasileira acima de 60 anos, os custos sociais das famílias e dos serviços de saúde para uma pessoa idosa doente e dependente são muito elevados. Sabemos também que os equipamentos hospitalares e ambulatoriais não estão devidamente preparados para atendê-los.

“Uma política bem delineada e intersetorial de inserção social, de atividade física e até laboral, de lazer, de participação social dentre outros elementos fará que o número de dependentes constitua uma razão cada vez menor da hoje existente. Porém, os estudos mostram que tendência de crescimento do número de idosos/as com 80 anos ou mais, em todo mundo, constitui hoje um desafio para as famílias e os sistemas de saúde e de proteção, pois é a partir de então que as várias limitações, comorbidades e dependências se instalam. Nunca podemos esquecer de que hoje é esse grupo de pessoas idosas o que mais cresce no país.

Simultaneamente, portanto, precisamos dar continuidade e aperfeiçoar o ambiente de segurança que vem com a aposentadoria e vários outros tipos de benefício social que funcionam no Brasil por meio de políticas sociais inclusivas — visando a uma velhice saudável, ativa e positiva, e cuidar daquelas pessoas que têm dependências, perderam sua autonomia e estão em situação de pobreza ou de adoecimento “.

Estratégias de ação
Investir numa sociedade para todas as idades;
Segundo todas as convenções internacionais, os governos devem priorizar os direitos da pessoa idosa;
Contar com a pessoa idosa: “nada sobre nós sem nós”;
Apoiar as famílias que abrigam pessoas idosas em sua casa;
Criar espaços sociais seguros e amigáveis fora de casa;
Formar profissionais de saúde, assistência e cuidadores profissionais;
Prevenir dependências.

Thereza Christina Jorge, editora do site com trechos do  Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2014

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.




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