Velha é um substantivo/adjetivo que deixou de ser usado no século passado. Certa vez,  perguntaram à grande Mademoiselle Chanel: “Quando é que a senhora começou a se sentir velha? Minha filha, nunca. Sou um clássico; clássicos não envelhecem.”

Só coisas envelhecem. Uma roupa (menos um tailleur Chanel). Um sapato.Um móvel. Coisas.

Noutro  dia, um rapaz quis ser gentil comigo e tomar o meu lugar na fila do  supermercado.

“A senhora não prefere ir para a caixa das prioridades? Respondi: “não, jovem, nós, idosos, demoramos muito para os devidos procedimentos no caixa do supermercado. Aqui a fila é de todos e há cinco caixas, onde tudo é mais rápido.” Ele continuou atrás de mim.

Desce o pano.

Não me incomodo de receber o protocolo que a sociedade definiu para idosos e idosas mas não gosto da ponta de ironia que vem no pacote “para os mais velhos”. Como acho muito feio usar o envelhecimento como vantagem e arrogância.  Idosos impacientes, grosseiros e arrogantes devem ter sido crianças e adultos mal-educados.

Voltando ao assunto desse artigo. Noutro dia fiquei contente da vida quando o moço que veio entregar a feira por telefone disse para mim: “madame pode deixar que eu coloco as compras. Achei esse título com a sonoridade dos concedidos pela realeza aos súditos.

E me alegrei novamente quando o taxista me devolveu um troco irrisório e eu disse: não precisa, pode ficar. Muito obrigado, madame…

Acho que algo da nobreza de alma conferida pelo envelhecimento é visível  no meu rosto.

Antigamente, me chamavam de tia na rua …. e eu detestava. Tenho mais de 20 sobrinhos e sobrinhos-netos e amo quando eles me chamam assim.

Noutro dia perguntei a uma garota, de 12 anos, minha aluna  da comunidade da igreja da qual sou membro, porque tinham me chamado de madame também ali. “Não liga, Thereza, é porque você parece gringa, só isso.”

Thereza Christina Jorge, editora

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.




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