A gravidade da pandemia nas precárias ILPIs brasileiras

 

Testes para Covid-19 confirmaram a contaminação de cinco idosos de uma mesma instituição asilar no Rio de Janeiro. Outras 80 pessoas, entre residentes e funcionários da unidade, estão sendo examinadas. O contágio conjunto, já comunicado à Vigilância Sanitária, indica a chegada da doença à rede de 434 instituições de longa permanência de idosos (ILPIs) no Estado do Rio, um dos pontos mais vulneráveis para a propagação da doença, pela alta concentração de idosos com comorbidades.

O envelhecimento da população brasileira é tema recorrente em pesquisas demográficas e comportamentais. Mas pouco se fala sobre o impacto do aumento da expectativa de vida na demanda por instituições de longa permanência (ILPI) – ou asilos e abrigos. O estudo “Condições de funcionamento e infraestrutura das instituições de longa permanência para idosos no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontou a tendência de crescimento do número de idosos à procura dessas casas. A quantidade de familiares que antes cuidava dos mais velhos diminuiu. Há, contudo, temor de que as deficiências estruturais que contínuas visitas de fiscalização do Ministério Público apontaram à Anvisa nas instituições em todo Brasil estejam sendo agravadas.

Cinco idosos de três asilos do Rio foram diagnosticados com coronavírus. A situação preocupa a Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado.

Na cidade do Rio, há aproximadamente 191 instituições de longa permanência. Muitas dessas já têm idosos em isolamento em casos suspeitos, alguns positivos. “Precisamos de muita atenção pra eles. Essa informação está pulverizada. Não temos certeza de qual o número como está. Aconteceu em mais de um asilo”, diz um dos integrantes do grupo, Virgílio Garcia Moreira. O desafio é isolar os idosos que testaram positivo ou estão com a suspeita da doença, principalmente porque eles estão no grupo de risco.

Pelo menos dez idosos, da Associação Promocional do Ancião Dr. João Meira de Menezes / Centro Residencial do Idoso), em João Pessoa, foram transferidos, nesta segunda-feira (13), para Hospitais da Capital, possivelmente infectados com o coranavírus. O chamado foi atendido pelo Samu. A informação, inclusive, foi confirmada pelo secretário de Saúde da prefeitura, Adalberto Fulgêncio, durante entrevista ao programa Arapuan Verdade.
Ontem, o brasilelpais.com informou que a procura desenfreada por equipamentos de proteção individual (EPI) em meio à pandemia não preocupa apenas os hospitais brasileiros, mas também as casas de repouso, que abrigam o principal grupo de risco do coronavírus. Em muitos asilos do Brasil, profissionais de saúde e cuidadores trabalham sem materiais básicos de higiene, como máscaras, luvas e álcool em gel, itens hiperinflacionados em um mercado que já não consegue atender à demanda por maior proteção para evitar que o surto se instale nos lugares que abrigam as pessoas mais vulneráveis à doença.

“Não conseguimos encontrar nenhuma máscara para comprar. Estamos improvisando, usando toucas de cabelo como proteção para boca e nariz. Liguei até mesmo nas fábricas desses materiais, e pedem pelo menos 10 dias de prazo”, conta Matthias Weisheit, presidente da Associação de Casas de Repouso do Estado de São Paulo (ACRESP) e administrador de uma instituição privada.

A deputada federal Lídice da Mata (PSB/BA),  presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados (Cidoso), também está preocupada. “Só em albergues públicos são mais de 60 mil pessoas idosas residentes. É essa população a mais vulnerável à mortalidade pela doença. É essa população que requer mais cuidados. Essa população, que contribuiu toda a vida pelo desenvolvimento do país, agora precisa, sim, de todo o apoio do Estado, e não só das famílias. Do total de mortos até agora, no Brasil, apenas 10% têm menos de 60 anos”, argumentou.

O projeto Brasil Acolhedor lançado ontem pelo governo federal  se propõe a combater a precariedade das ILPIs e também  auxiliar grupos em situação de rua  e pessoas com deficiência durante o combate ao novo coronavírus. Para o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, essas instituições terão atenção especial porque fazem parte do público-alvo do Brasil Acolhedor.A iniciativa é uma parceria com a plataforma digital Transforma Brasil, que reúne uma rede de 500 mil voluntários em todo o País.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, a primeira-dama e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, repetiram o mote do governo que “ninguém ficará para trás” durante a crise. O slogan foi lançado após a repercussão negativa da campanha “O Brasil não pode parar”.

As contribuições ao projeto e o cadastramento de organizações podem ser realizadas na página transformabrasil.com.br e na plataforma patriavoluntaria.org. O projeto será conduzido pelo programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, e pelo Transforma Brasil, que atuará para fortalecer iniciativas de voluntariado de instituições sem fins lucrativos.

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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