Por onde começar para diminuir o contágio e as mortes por covid-19 nas Instituições de Longa Permanência brasileiras, os antigos asilos? Nem os maiores estudiosos do assunto poderão resumir suas  prioridades e providências. Certo é, que o covil-19 e as ILPIs terão um longo “casamento”. Infelizmente. No início do ano, o Ministério da Saúde previu num relatório que o número de óbitos nos asilos poderia chegar a mais do que 11 mil.

Nathaniel Hupert, professor de políticas de saúde  e especialista em emergências sanitárias da Universidade de Cornell (NY), em recente seminário, revelou  que o percentual de mortes nas ILPIs foi menor em países que investiram em compra de equipamento, treinamento, testagem ampliada e isolamento, como Áustria, Holanda, Portugal, Irlanda e Austrália.

Para o especialista,  a prioridade é   investir em modelos de prevenção, que devem ser criados por equipes multidisciplinares. No caso da Covid-19, os gráficos mostravam que, depois de alcançar um pico, a epidemia perdia intensidade com o isolamento, mas não indicavam que, no caso das instituições de longa permanência, isso não ocorria”.

Por uma informação  da diretora-geral  da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para Idosos, a geriatra mineira Karla Giacomin, podemos chegar a conclusões alarmantes. Ela com 500 voluntários estão se organizando para lutar por uma Política Nacional de Cuidados Continuados.  “Qualquer pessoa, em qualquer idade, não apenas idosos, pode precisar de atendimento multidisciplinar que é complexo”, afirma Karla Giacomin,  que presidiu o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI),

No último Censo, em 2010, Belo Horizonte contava com 28 instituições segundo o radar do Conselho Nacional de Assistência Social. que abrigavam 800 idosos. Com a pandemia, fez-se nova pesquisa e  descobriu-se  que só na capital estão em operação 208 lares, a maioria particulares (beneficentes ou não).

Se um idoso é diagnóstico com COVID-19 significa que o vírus conseguiu entrar na ILPI. Neste caso, está indicada a testagem de todos que trabalham ou vivem na casa. Essa é a única maneira de identificar os demais idosos e funcionários que também apresentam a doença, mesmo os assintomáticos, para organizar um bloqueio do surto dentro da ILPI.

Na opinião do médico Rodrigo Daniel de Souza, de Belo Horizonte, “é covardia apontar o dedo para os donos dos lares dos idosos. É uma coisa nova para todo mundo. Somos todos co-responsáveis pelo quadro que está aí.”

O cuidado faz sentido, pois em alguns países, como os EUA, o número de mortes em asilos e casas de acolhimento de pessoas mais velhas representa quase metade do total, segundo o jornal The New York Times. Em outros, como o Canadá, os dados são ainda piores, chegando a 80%. Na Itália, a repetida manchete dos jornais noticiava:

Itália investiga milhares de mortes de idosos em asilos – 20/04 …

Segundo o médico mineiro, o ideal é que a ILPIs sigam as dicas da Nota Técnica Nº 5 da Anvisa (atualizada pela última vez em 24 de junho), mantendo os residentes em quartos privativos, tendo funcionários de dedicação exclusiva, evitando servir refeições em espaços comuns, aferindo temperatura corporal duas vezes ao dia, incentivando a limpeza das mãos e uso de máscaras, individualizando utensílios e higienizando objetos como corrimãos.

Na realidade brasileira, a nota da Anvisa beira à irrealidade.  Sabe-se da precariedade de recursos da grande maioria dos asilos. A verba federal mensal de cada instituição é R$ 90,00. E segundo a Organização Mundial do Trabalho, entre 48 países que destinam percentuais do PIB para cuidados e atenções para os idosos  e idosas, o Brasil destinou até agora 0% do seu PIB.

A avaliação de especialistas é que as ILPIs reúnem todas as condições para a transmissão do novo coronavírus: ambiente fechado, aglomeração e idosos frágeis, que são mais susceptíveis às formas mais graves da infecção “por apresentar baixa reserva homeostática e múltiplos fatores de risco, tais como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares”. 

Thereza Christina Pereira Jorge com informações do Estadão Digital, Estado de Minas,  Modo de Usar (G1) lives do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde.