O cérebro manda um sinal. O coração reage. Um susto, uma notícia ou encontro inesperado, um momento de raiva. O coração acelera, reduz seu ritmo ou parece estar partindo ao meio. Imagino que todo mundo já passou pelo menos uma vez por alguma situação assim e sabe do que estou falando. Mas será que o contrário também pode ocorrer? Nosso coração seria capaz de “conversar” com o cérebro? Os cientistas vêm analisando há anos estas respostas dadas pelo coração aos comandos do cérebro. Entretanto, estudos recentes apontam que eles estão muito mais conectados do que imaginamos. A comunicação entre os dois é uma via dinâmica, de mão dupla e contínua, de modo que cada um dos órgãos exerce influência sobre o outro.

Os cientistas vêm analisando há anos estas respostas dadas pelo coração aos comandos do cérebro. Entretanto, estudos recentes apontam que eles estão muito mais conectados do que imaginamos. A comunicação entre os dois é uma via dinâmica, de mão dupla e contínua, de modo que cada um dos órgãos exerce influência na função do outro.

O que se sabe hoje é que cérebro, coração e mente estão intrinsecamente conectados. Um depende do outro, ou seja, se um adoece ou falha, os outros podem acabar afetados. As descobertas atuais indicam que, além de ser uma bomba fundamental para o funcionamento do corpo, o coração também exerce a função de enviar informações e estímulos de forma constante, ativando ou inibindo diversas áreas cerebrais, segundo as necessidades do organismo. É como se ele também pudesse sentir, pensar e decidir.

Esta inter-relação fez com que cardiologistas, neurofisiologistas e neuro-anatomistas juntassem forças em uma área de mútuo interesse, iniciando assim a disciplina da neuro-cardiologia. Dentro dela, pesquisas e observações clínicas relevam ligações importantes entre doenças do cérebro e do coração, como elas se desenvolvem e progridem. Já se sabe, por exemplo, que erros de comunicação entre eles podem resultar em doenças cardíacas, incluindo infartos, morte súbita e problemas no suprimento sanguíneo.

O coração também tem cérebro? Um artigo publicado em maio deste ano na iScience revela a descoberta de especialistas da Thomas Jefferson University (EUA), que mapearam pela primeira vez os neurônios de um coração humano e os recriaram em 3D. Assim, puderam revelar que o coração tem sua própria rede neuronal, complexa e suficientemente extensa, que pode ser caracterizada como o cérebro do coração (heart-brain). Esse sistema nervoso intrínseco cardíaco, onde se concentram neurotransmissores, proteínas e células de apoio, tem memória de curto e longo prazo e pode operar, independentemente do comando do sistema nervoso central.

Esse sistema nervoso intrínseco cardíaco, onde se concentram neurotransmissores, proteínas e células de apoio, tem memória de curto e longo prazo e pode operar, independentemente do comando do sistema nervoso central. Vale destacar aqui que com essa memória se torna possível que ele aprenda através das experiências.

Portanto, o funcionamento do coração é mantido pelo cérebro, através de uma rede de nervos, assim como pelo sistema nervoso intra-cardíaco, ou seja, aquele contido no próprio coração, que atua para monitorar e corrigir quaisquer distúrbios entre estes sistemas. As mensagens por ele transmitidas de forma autônoma (com base em estímulos orgânicos) são recebidas em algumas regiões do cérebro, que ouvem atentamente sua performance.

Com base nesta e outras investigações recém-divulgadas, entendemos então que o coração se comunica com o cérebro por quatro vias: neurologicamente (através da transferência de impulsos nervosos), por via bioquímica (por hormônios e neurotransmissores), por via biofísica (através de ondas de pressão) e energeticamente (por meio de interações de campos eletromagnético).

UOL