Deixa quieto

8e00a17de8d34f70788fa1648446512d

Nem todo mundo quer ter muita atividade ao envelhecer. Esse conteúdo aborda o tema.

“É extremamente desgastante cuidar de pacientes com demência. Se a pessoa está disponível e deseja assumir esse papel, pode ser bastante gratificante. Mas se não tem desejo, não tem tempo, pode ser muito ruim, tanto para o idoso, quanto para o familiar. Agora, mesmo que cuidadores venham a ser contratados, a presença do familiar é muito importante, para avaliar o cuidado.

Os idosos tendem a preferir ficar em casa. Mas temos que avaliar se é viável. Se a pessoa mora sozinha, ou se a família não tem dinheiro para ter uma equipe de cuidadores. É caro. A pessoa com demência não pode ser deixada sozinha. É sempre muito difícil ter que se despojar dos seus pertences e passar a viver num ambiente comunitário. É um momento de luto.

A estimativa de demência na população com mais de 60 anos é de 7%. Entre octogenários e nonagenários, fica entre 30% e 50%. Mas temos pelo menos 50% que não desenvolvem demência. Sempre questionamos: se as pessoas vivessem até 120, 130 anos, todas demenciariam? É possível viver muito na total preservação da cognição? Parte do que chamamos de demência não é envelhecimento cerebral?

 Há evidências de que características genéticas estão associadas a um maior risco. Pesquisas mostram que o estilo de vida também tem impacto. Quem fez atividade em toda a vida adulta tem risco menor. A pessoa que teve um estilo de vida cognitivamente engajado, que aprendeu novas línguas, novos hobbies, estudou bastante, também tem um valor de proteção. E estudam-se dietas, como a do Mediterrâneo, favoráveis à cognição.

 Quando você diz a si mesmo que não é bom em alguma coisa, praticamente elimina a chance de ir bem. É o que chamamos de profecia autor-realizadora. Na memória, isso parece exercer efeito significativo. Se o idoso acha que não é bom em tarefas de memória, tende a fugir delas, não se esforça, porque já se sente um derrotado antes de desafiar-se.

 A velhice é estigmatizada? Sim. Tradicionalmente, o idoso é visto como inativo, improdutivo, triste, com problemas de memória, isolado socialmente. Mas vivemos um momento em que estamos tentando construir outro espaço para os idosos. E observamos que há muitos indo para a linha do envelhecimento ativo. Chega às vezes a um extremo: nem todos querem ser superativos aos 70 anos.

 Mais do que a memória, o bem mais precioso é a autonomia. A sociedade valoriza o indivíduo que produz, tem dinheiro, decide o que fazer da vida dele. Se você tem problemas de memória, é vigiado pela família, perde o poder de decisão. Esse é o grande pavor.”

Compacto da entrevista de Monica Yassuda ao jornal O Globo. Formação: Psicologia Clínica, na USP; mestrado e doutorado na Universidade da Flórida, onde morou 10 anos  Professora de de Gerontologia da USP e da Unicamp. E na pós-graduação de Neurologia da USP, sempre trabalhando com temas de demência, treino cognitivo e reabilitação.”

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo