Elizabeth Camasmie Zogbi, uma rotina de generosidade

Descendente de sírios e libaneses, a pedagoga Elizabeth Camasmie Zogbi dedicou boa parte da sua vida à associação beneficente de amparo a idosos Mão Branca, fundada por mulheres de origem árabe. Ela e seu grupo de voluntárias inseriram o lazer na vida dos idosos e criaram núcleos em bairros de São Paulo. Leia um pouco do que contou Elizabeth à ANBA sobre sua trajetória pessoal e de trabalho.

“Os meus avós eram da Síria e do Líbano e vieram para o Brasil na época da 1ª Grande Guerra. O meu avô paterno, Camasmie, veio de Homs, na Síria, e o meu avô materno, Badra, veio de Zahle, no Líbano. Meu avô Badra foi para Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo, mascateou, teve loja, foi fazendeiro. O meu avô Camasmie era professor, mas como não sabia falar a língua portuguesa quando chegou ao Brasil, também foi mascatear. Depois abriu uma loja de armarinhos na rua 25 de Março.

O meu pai, Demétrio Taufik Camasmie, seguiu no comércio. Conheceu minha mãe, que sempre foi muito bonita, e se encantou por ela. Tiveram quatro filhos, eu, duas irmãs e um irmão. Eu nasci em 1938, em São Paulo, pouco antes da 2ª Guerra Mundial. A família do meu pai falava muito árabe em casa, mas em função da guerra eles não quiseram ensinar os filhos. Por este motivo não falo o árabe. Mas a comida árabe é muito presente na nossa casa.

A Mão Branca foi fundada no Salão da Igreja Ortodoxa Antioquina, em São Paulo. Um grupo de mulheres se reunia e distribuía alimentos, remédios e prestava cuidados aos idosos menos favorecidos. Até um dia em que um idoso não foi pegar os alimentos. Elas foram visitá-lo e ele estava morto. O começo da Mão Branca foi assim, em 1912. Na década de 1940 foi comprado um sítio de dez mil metros quadrados em Santo Amaro (zona sul de São Paulo) e a sede foi construída com as doações da comunidade no local onde ela está hoje. Todos os pavilhões foram doados e têm o nome das famílias doadoras.Nessa época, com 42 anos, comecei trabalhar como voluntária na Mão Branca.

Logo nos primeiros dias , fui conversar com uma senhora e perguntei a ela qual era o nome da idosa que estava ao lado dela. Ela não sabia. Então eu pensei: “Estamos precisando mais comunicação!”. Perguntei também o que elas faziam o dia todo e ela me disse: “Ficamos aqui esperando a morte chegar”. Aquilo me tocou lá no fundo do coração e eu disse: “Eles estão precisando de lazer!”.

Aí criamos um grupo bem grande de voluntárias que levavam lazer e conversavam com eles. Íamos de quarto em quarto conversar. Os idosos que podiam levantar, tirávamos da cama. Começamos a fazer pequenas mudanças nas suas rotinas. Criamos momentos de lazer: jogo de bingo, confecção de bijuteria, desenho, tudo voltado para esta faixa etária. As integrantes deste grupo se tornaram diretoras com o passar do tempo.

Mais recentemente, criamos núcleos de convivência para idosos na periferia de São Paulo (NCD). Eu fazia alguns trabalhos sociais na região de Capão Redondo (zona sul de São Paulo), conheci o salão da igreja de lá e resolvi perguntar se nos deixavam fazer um grupo de convivência para idosos no local. Deu certo. As avós normalmente ficam tomando conta dos netos, os filhos ficam com suas aposentadorias e elas nunca têm um momento lazer. Nos núcleos encontram este tempo para elas.

Hoje os núcleos são um braço da Mão Branca. O núcleo de Capão Redondo já foi fechado, mas temos outros quatro núcleos: Jardim Ângela, M’Boi Mirim, Campo Limpo (todos na zona sul) e Brás (região centro-leste da cidade), todos funcionam com igrejas católicas. Muitos que estavam desanimados dentro de casa começam a viver de novo com este momento de lazer. Todo mundo precisa de divertimento. Temos mais de 400 idosos nesses núcleos. Também fazemos visitas aos idosos acamados das regiões, levando remédios e o que precisam.

Na Mão Branca temos a ILPI (Instituição de Longa Permanência), que é o atendimento aos hóspedes da casa, aqueles que moram na Mão Branca. Temos há dois anos também o Centro Dia (NCI), pelo qual o idoso passa o dia na Mão Branca e volta para dormir com a família. E temos esses núcleos de convivência com lazer, dança, atividade física, confecção de bijuteria e outras atividades.

A Mão Branca acolhe a todos com excelência, temos médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, cuidadores, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, todo tipo de profissional necessário.”

Compacto da Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA)

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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