Envelhecimento Ativo é … Envelhecer

julho 22, 2016 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

Envelhecimento Ativo é …
… envelhecer   (com direito à trilha sonora)



Todo este movimento em torno do envelhecimento demográfico mundial tem gerado verdades e mentiras. Informação e desinformação.

Não quero participar dos mitos e fantasia que aparecem aqui e ali. Envelhecimento Ativo não é a Imortalidade. Não é Rejuvenescer. Envelhecimento Ativo segundo a Organização Mundial de Saúde que criou e propagou o conceito é: envelhecer com qualidade de vida, saúde funcional, exercícios, combate à solidão e isolamento, defesa da autonomia e da independência e um trabalho ou atividade com auto realização. Lazer.

Fiz aniversário no dia 11 de julho. E graças à loteria genética, estou bem. 
Publiquei a foto (o que não gosto muito) na postagem “O lado bom de Envelhecer”. Achei que  devia a vocês uma foto atual já  que minha cabeça é exposta todos dias no blogue. O que gosto muito.

E dentro de mim: me sinto mais feliz, tenho muito mais trabalho com a manutenção da minha saúde e autonomia do que antes. Isso às vezes me impacienta porque nunca peguei _ com raras exceções _ a segunda jornada. Sempre tive pessoas que a assumiram por mim. Agora faço meus blogues e todo o serviço doméstico. Três vezes por mês, tenho um secretário para a faxina e o que precisar do uso da força física. 

Não tenho a menor ideia de como vou acordar amanhã. No meu envelhecimento, o mau-humor me pega desprevenida mas o controlo com um autocontrole que não tinha.

Aceito que sou o melhor de mim depois das 14h.

Gosto do que o envelhecer me trouxe: rir da minha autossuficiência, tornar-me mais amável e delicada, ouvir mais e falar menos, paciência, uma esperança realista (não fantasiosa). Declarar meu amor às pessoas amadas.

Não gosto do que o envelhecer me trouxe: gostar de isolar-me, apreciar (demais) minha solitude; a consciência da finitude, a mortalidade, as perdas.

Porque não aspiro mais perfeições, aceito minhas gafes, tropeços, troca de nomes, esquecimentos. A minha mudança corporal (brigo menos com isso).

Porque não aspiro mais perfeições, como menos, mais do que gosto, faço meu caraoquê sempre que posso, leio livros pulando as partes desinteressantes. Dou um fast-forward nas cenas dos filmes de que não gosto. E adoro estar com certas pessoas. Certas. 

As erradas podem me contaminar e não tenho tempo para isso. Até porque sei que depois de absorver as pessoas erradas, elas dominam meu coração e mente por muito tempo. E tempo para mim é a minha moeda de troca. Preciosa.
Thereza Christina Jorge, editora do blogue