Escândalo nas ILPIs francesas: maus-tratos, sujeira e corrupção

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A França é palco de um grande escândalo de maus-tratos em casas de repouso para idosos do grupo francês Orpea, acusado de uma série de irregularidades em seus estabelecimentos. Após denúncias feitas em um livro, o governo anunciou nesta terça-feira (1°) uma vasta operação de controle para proteger os residentes. O grupo, líder mundial de lares sêniores, tem mais de 20 estabelecimentos no Brasil.

A publicação do livro ““Les Fossoyeurs” (Os Coveiros, em tradução livre), do jornalista Victor Castanet, provocou um terremoto na França. Na obra, que chegou às livrarias do país este mês, o jornalista descreve um sistema generalizado de problemas e dramas nas casas de repouso para idosos do grupo Orpea, líder mundial do setor. … – Para escrever o livro, Castanet realizou cerca de 250 entrevistas durante três anos. Ele detalha um sistema falho e abusivo de cuidados com a higiene e com a saúde dos idosos que residem nos estabelecimentos da empresa. Além disso, vários depoimentos apontam que as refeições dos moradores são racionadas e em quantidade insuficiente. Tudo isso em prol de uma política de redução de gastos para melhorar a rentabilidade do grupo, afirma o livro.

Uma antiga empregada de uma casa de repouso Orpea, Saïda Boulahyane, afirma que chegava a brigar para que os idosos pudessem trocar de fralda, dizendo que eles exalavam “cheiro de xixi”. “Havia um sistema de racionamento: três fraldas por dia, no máximo, mesmo que o residente estivesse doente, com diarreia ou se houvesse uma epidemia no local”, diz Saïda.

Mesmo que as residências da Orpea sejam privadas, a empresa se beneficia de subsídios públicos importantes. No entanto, “uma parte deste dinheiro público não é utilizado em benefício dos idosos”, escreve Castanet no livro. Por isso, o jornalista pede que o Estado revise o sistema e as modalidades de controle destas empresas.

Na semana passada, a Orpea veio a público desmentir as acusações da obra e do site Mediapart. Segundo o diretor-geral do grupo, Yves Le Masne, os testemunhos recolhidos vêm de uma minoria de empregados “rancorosos” que deixaram o grupo. Ele diz que a empresa vai contestar as denúncias na Justiça.  Logo depois, Le Masne, que ocupava o cargo há dez anos, foi demitido e substituído pelo presidente não executivo do conselho de administração do grupo, Philippe Charrier. Em comunicado, a Orpea afirma que o novo diretor terá a missão de “esclarecer as alegações”, apoiando-se em “um trabalho independente de avaliação” que será realizado por a duas equipes “em curso de formação”.

Duas investigações estão sendo realizadas pela Inspeção Geral de Casos Sociais e das Finanças. “É preciso dar uma resposta forte para mostrar que não se brinca neste setor que pode exercer uma atividade lucrativa, mas não em detrimento do tratamento dos idosos”, afirmou uma autoridade francesa em entrevista à rádio France Inter. O grupo Orpea, que atua em 23 países, entre eles o Brasil, conta com 65.500 empregados em todo o mundo. Na França, a empresa conta com 372 estabelecimentos, dos quais a maioria são casas de repouso para idosos. No Brasil, de acordo com o site do grupo, há 22 estabelecimentos do grupo.  (Compacto do UOL)

Ele recusou 15 milhões de euros para ficar calado

Há 10 dias, o fotógrafo brasileiro Eder Accorsi, que morou cerca de seis anos em Paris, publicou na sua fanpage (Facebook) uma nota sobre o autor da denúncia, jornalista Victor Castanet. Eder reproduziu uma das reportagens publicadas na mídia em que Castanet afirma ter recebido  uma proposta para se calar, no valor de 15 milhões de euros. “Eu recusei 15 milhões de euros”, é o título da chamada do jornal Le Parisien.

 

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