Em agosto deste ano, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) informou que 75% das mortes da pandemia eram de idosos. Atualmente, hoje, sexta-feira, 18 de dezembro, os números dizem que há 186 mil vítimas fatais. Usando o calculo da SBGG, desses cerca de 140 mil foram idosos.

Esse número é cerca de 5% maior do que a pior das previsões. Em marco, o Ministério da Saúde distribuiu um comunicado alertando para cerca de 12 mil mortes no grupo de risco. Uma reportagem num jornal de Minas previu cerca de 33 mil.

O epidemiologista carioca Alexandre Kalache, presidente do International Longevity Center-Brazil , escreveu uma carta-aberta ao Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, culpando-o pela omissào diante do que ele chamou de gerontocídio.

Em abril, em entrevista ao programa Sem Censura Especial (TV Brasil)  , o especialista em envelhecimento Alexandre Kalache afirmou que “a voz do idoso não está sendo ouvida sobre a sua vulnerabilidade enquanto grupo de alto risco ao Covid-19. Para ele, a falta de legitimidade do atual Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI)  do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, explica ausência do protagonismo dos idosos brasileiros. E o risco de um gerontocídio desse grupo. (Gerontocídio é Senicídio ou geronticídio, é o abandono à morte, suicídio ou assassinato de idosos.). ” 
A tragédia está em curso. Recentemente, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, constatou que há 200 mil idosos em ILPIs, instituicões de Longa Permanência. Essas instituicões estão oficialmente reconhecidas nos órgãos oficiais. A descoberta foi consequencia do levantamente feito para a distribuicão do auxílio emergencial do Governo às ILPIs.
Ocorre que em Portugal, Primeiro Mundo, a pandemia revelou que as famílias estavam apelando para cerca de 3 mil asilos “piratas”, o que está preocupando às agências portuguesas.
Considerando que há um consenso entre os cientistas que os números brasileiros estão  subnotificados e a prevencão não foi realizada. (testes comecam a ser feitos em algumas cidades agora), a realidade deve ser dramaticamente pior.

Por uma informação  da diretora-geral  da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para Idosos, a geriatra mineira Karla Giacomin, podemos chegar a conclusões alarmantes. Ela com 500 voluntários estão se organizando para lutar por uma Política Nacional de Cuidados Continuados.  “Qualquer pessoa, em qualquer idade, não apenas idosos, pode precisar de atendimento multidisciplinar que é complexo”, afirma Karla Giacomin,  que presidiu o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI),

No último Censo, em 2010, Belo Horizonte contava com 28 instituições segundo o radar do Conselho Nacional de Assistência Social. que abrigavam 800 idosos. Com a pandemia, fez-se nova pesquisa e  descobriu-se  que só na capital estão em operação 208 lares, a maioria particulares (beneficentes ou não).

O problema dos idosos brasileiros não nasceu durante a quarentena. Apesar do Estatuto do Idoso ter 17 anos e  ser considerado uma legislacão abrangente e moderna, as políticas públicas não tornarm a lei eficaz.  Infelizmente.

 

Thereza Christina Pereira Jorge