Fim do isolamento: Vamos aprender a viver em “bolhas”?

Ninguém aguenta mais a quarentena imposta pela pandemia de coronavírus. Quem pode fazer isolamento social já está há quase quatro meses praticamente olhando para as paredes. Para enfrentar essa maratona que não tem fita de chegada à vista, muita gente está flexibilizando seu confinamento e encontrando outras pessoas que também estão isoladas. Cada um na sua bolha, mas em contato para não “surtar”. A razão disso é o peso mental do isolamento. Quanto mais rigorosa a quarentena, maior o custo para o bem-estar psicológico, dizem os especialistas. A psicóloga Mary Yoko Okamoto, professora de pós-graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e uma das responsáveis pelo programa de teleacolhimento dos calouros, diz que insegurança, incerteza e medo do futuro são os sentimentos mais comuns deste período. 

Como montar sua bolha

Essas soluções individuais não são invenção nossa. Foi lá fora que surgiram os termos “bolhas” e “microbolhas sociais”. Quando começou a retomar a vida social após um enfrentamento bem-sucedido da pandemia, a Nova Zelândia recomendou que as pessoas continuassem dentro da bolha de suas casas, mas que começassem a expandi-la para se reconectar com a vida lá fora. Na Inglaterra, o governo britânico recomendou que as bolhas sociais, geralmente familiares, fizessem combinações com dois ou três outros grupos.

O psicanalista Christian Dunker afirma que nossa capacidade de suportar privações é finita. “Não somos de aço inoxidável ou de elástico. Nós estamos pagando um preço psíquico pelo isolamento. O contato com o outro representa o nosso reconhecimento. Dependemos do outro para entender melhor o que sentimos”, explica o professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Ampliar a bolha individual aumenta o contato social, contribui com o equilíbrio emocional e tenta minimizar o risco de transmissão da doença. Se ocorrer uma infecção, ela permanece na bolha e não será transmitida a outras pessoas. Pode ser uma saída temporária à espera da vacina ou de um remédio eficaz contra a covid-19

Não dá para comparar a situação da Nova Zelândia e do Reino Unido com a do Brasil, mas a ideia é a mesma. A decisão de encontrar alguém pessoalmente é delicada, pois a pandemia ainda não acabou por aqui. A retomada de atividades não essenciais em várias cidades, como a abertura de shoppings e academias, por exemplo, traz uma sensação de fim da pandemia. É falsa. Não acabou. 

Existem situações mais complexas para criar bolhas, além dos laços familiares, como amigos que dividem o apartamento, por exemplo. Como controlar que todos se protejam na mesma medida se os laços não são tão fortes? 

Cuidados têm de ser respeitados, alertam especialistas

Embora reconheçam o desgaste emocional causado pela quarentena, epidemiologistas e infectologistas se dividem sobre a eficácia das medidas de prevenção nos encontros presenciais. Alguns se mostram céticos quanto à ausência de beijos e abraços. Outros alertam para a possibilidade de contaminação pelo ar. Todos destacam a necessidade de disciplina para que as bolhas minimizem o risco de contágio.Desde que exista disciplina, com cuidados antes e durante o encontro, não há problema, opina a infectologista Rosana Richtmann. “É prática que, com segurança, pode garantir que as pessoas tenham algum tipo de vida social”, diz a médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Grupo Santa Joana.

“Do ponto de vista psicológico, é compreensível que as pessoas comecem a fazer as próprias recomendações. Nós convivemos com o medo, da morte e da doença, por muito tempo e em isolamento. E os riscos vão existir sempre”, afirma a infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de Biossegurança e Controle de Riscos da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Para minimizar esses riscos, Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública e médico do Hospital Universitário da USP, recomenda o uso de máscaras, além da higienização das mãos. Também é necessário, completa o especialista, evitar lugares fechados, o contato prolongado e as aglomerações. O médico e professor Jean Gorinchteyn, também do Emílio Ribas, mostra ceticismo quanto à adoção das medidas. “As pessoas não vão se encontrar ao ar livre. Em geral são jantares ou almoços. Numa mesa, ninguém vai manter 2 metros de distância. Além disso, elas vão retirar as máscaras para comer. Esse é um cenário de risco”, adverte o infectologista.

Paulo Eduardo Brandão, virologista da Faculdade de Veterinária da USP, adiciona outro alerta: a possibilidade de transmissão do novo coronavírus pelo ar. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um informe científico em que passa a considerar o fato. “O vírus precisa de pessoas perto de pessoas, mas ele também se transmite pelo ar. Esse é um risco que mina a hipótese de segurança em um parque ou praia”, exemplifica. (Compacto do Estadão Digital). 

O que era “normal” passou a ser considerado crime

Uma ressalva importante: apesar do Estatuto do Idoso ser conhecido apenas por 35% do seu público potencial, estamos mais conscientes em relacão aos crimes contra os mais velhos.
Ontem, divulgamos que em 2019 o Disque Direitos Humanos registrou 48,4 mil denúncias de violações contra idosos.
Eis a ressalva: às vezes, a divulgação de números sobre a violência contra idosos parece mostrar um aumento de atos violentos. Na verdade, pode ser, ao contrário, o registro da mudança de mentalidade da sociedade.
Thereza Christina Pereira Jorge

Brasil registra 48,4 mil denúncias de violações contra idosos em 2019

Conforme o balanço do Dique Direitos Humanos (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) , as violações mais constatadas são negligências (38%), violência psicológica (26,5%), abuso financeiro/econômico (19,9%) e a violência física (12,6%).

O Brasil registrou 48,4 mil denúncias de violações cometidas contra idosos no ano de 2019. O número é 22,6% maior do que em 2018. As informações fazem parte de um balanço do Disque Direitos Humanos (Disque 100), que registrou apenas 398 ocorrências do tipo no Tocantins durante o período em questão.

O resultado coloca o Estado entre os que possuem os menores índices de denúncias do país. Conforme o balanço do Dique Direitos Humanos, as violações mais constatadas são negligências (38%), violência psicológica (26,5%), abuso financeiro/econômico (19,9%) e a violência física (12,6%).

Criado em 2003, o Estatuto do Idoso (Lei Federal Nº 10.741), visa garantir direitos a todas as pessoas que vivem no Brasil e possuem mais de 60 anos. A legislação aborda desde questões ligadas à família, assim como obrigações na área de saúde pública, assistência social e punições no caso de violações.

Atualmente o Disque Direitos Humanos, disponível por meio da central telefônica 100, também pode ser utilizado para denúncias relacionadas a violações contra crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, moradores de rua, discriminação por gênero, cor, raça, religião, entre outras situações.

guarainoticias.com.br

 

Fórum discute inclusão de idosos nas empresas

O CEO do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, acredita que a questão geracional é prioritária para empresas também por causa do envelhecimento dos consumidores. “Diversas vezes eu tive consumidoras entrando nas lojas perguntando como uma menina poderia indicar para ela produtos de skincare, voltados para um público mais maduro.”

A entrada da chamada geração Z (pessoas que nasceram entre 1995 e 2010) no mercado de trabalho traz desafios para empresas tradicionais, que precisam estar preparadas para lidar com a diversidade etária e para colocar a seu favor a multiplicidade de perspectivas das diferentes gerações que convivem em um mesmo ambiente de trabalho.

Com a preocupação sobre o futuro das relações profissionais, um grupo de empresas patrocinou o lançamento do Fórum Gerações e Futuro do Trabalho, que pretende discutir e aprimorar processos de diversidade geracional dentro do mundo de negócios.

O primeiro webinar da iniciativa ocorreu ontem e reuniu representantes dos cinco patrocinadores: o Itaú Unibanco, a companhia de seguros Chubb, o grupo de energia EDP, o Grupo Boticário e a companhia de consultoria e auditoria PWC. O Fórum é promovido pela consultoria Mais Diversidade.

“A discussão sobre diversidade no Brasil cresceu nos últimos dez anos, abarcando temas como LGBTI+, gênero, raça e pessoas com deficiência. Mas havia um espaço para debater as questões geracionais”, afirma Ricardo Sales, diretor-executivo do Fórum.

O tema envolve aspectos como aumento da expectativa de vida, mudanças previdenciárias e digitalização dos processos. “Estamos falando de uma nova maneira de fazer negócio e de relacionamento entre cliente e colaboradores. Pela primeira vez, temos quatro gerações diferentes trabalhando no mesmo ambiente”, afirma Leila Melo, diretora executiva do Itaú.

Buscando ampliar o número de colaboradores mais velhos, o Itaú criou um projeto-piloto para contratação de 20 profissionais com mais de 50 anos em agências de São Paulo. Cada um atuava como “consultor de longevidade”, e orientava clientes a partir dessa faixa etária a utilizar os canais digitais do Itaú. “O crescimento dessa jornada digital completa para os clientes atendidos foi de 80% quando comparado com o grupo de controle”, explica Leila.

O CEO da Chubb, Antonio Trindade, diz que o mercado de seguros tem evoluído do ambiente tradicional para o universo digital e que, para preservar vagas, busca capacitar funcionários. “Viemos trabalhando para retreinar nossos colaboradores, para lhes dar apoio nas ferramentas, aumentar suas capacidades técnicas e sua permanência no mercado de trabalho.”

O CEO do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, acredita que a questão geracional é prioritária para empresas também por causa do envelhecimento dos consumidores. “Diversas vezes eu tive consumidoras entrando nas lojas perguntando como uma menina poderia indicar para ela produtos de skincare, voltados para um público mais maduro.”

Para auxiliar pessoas no aprimoramento dos processos digitais, a PWC Brasil liberou durante a pandemia o acesso gratuito ao aplicativo DFA, que aplica um teste de conhecimento e fornece informações sobre temas digitais. Ao concluir as etapas, o usuário recebe pontos para diferentes competências profissionais “É importante, porque você consegue, a partir dali, propor novas ideias para a sua empresa e se aprimorar em conteúdo”, diz sócio-líder da PWC, Leandro Camilo.

O CEO da EDP Brasil, Miguel Setas, aponta para a transformação em diversas frentes nos últimos anos. “Estamos em um momento de transição, que envolve também a passagem dos combustíveis fósseis para os renováveis. É um desafio enorme fazer essa transferência geracional de uma empresa que foi fundada há 50 anos para a geração que está chegando agora. Entre 40% e 50% das pessoas que trabalham na empresa vão se aposentar nos próximos dez anos”, afirma Setas.

“A discussão sobre diversidade cresceu no Brasil. Mas havia espaço para debater as questões geracionais”

Ricardo Sales

DIRETOR DO FÓRUM GERAÇÕES E FUTURO DO TRABALHO

Estadão Digital

E se envelhecer não fosse um drama?

O envelhecimento populacional é uma mudança em escala global, nunca antes vista. Já alterou e vai continuar a alterar decisivamente a vida de todos nós, independentemente da idade. Apesar disto, o debate público sobre o envelhecimento continua a estar virtualmente restrito ao tema das pensões e dos cuidados de saúde. Algo que não surpreende, tendo em conta a hegemonia do discurso catastrofista sobre a velhice.

Diversas organizações nacionais e internacionais têm tentado marcar a agenda política com uma perspetiva mais ampla. O alinhamento de diversos órgãos das Nações Unidas e da União Europeia em torno do discurso do “Envelhecimento Ativo” é um bom exemplo disto e pode ser visto como uma conquista (cada vez mais próxima de uma vitória de Pirro).Infelizmente ainda há pouco para comemorar. A falta de uma perspetiva partilhada sobre o que é o envelhecimento ativo tem, na prática, resultado em políticas bastante contraditórias e muitas vezes limitadas ao binómio saúde e reformas. Supervalorizando assim uma “velhice moderna” e “produtivista”, onde os velhos, preservados biologicamente e com boa saúde, passam a ter a obrigação de devolver à sociedade o investimento que esta fez, através de mais anos de trabalho.

Ao deslegitimar certos modos de envelhecer, cria-se um imperativo que dita a prescrição da maneira correta de se envelhecer. Passamos a olhar a velhice como uma só, responsabilizando os sujeitos pelo próprio fracasso ao se afastarem das prescrições do bem viver, desconsiderando outros aspectos fundamentais, como por exemplo género e a classe social.

O principal desafio para as políticas públicas é reafirmar a existência de diferentes maneiras de envelhecer, recentrando o debate demográfico em torno da ideia de solidariedade intergeracional. É preciso enfatizar a possibilidade de criamos coletivamente outra relação com a velhice e reverter a tendência de precarização do envelhecimento. Toda a gente quer viver mais, ninguém quer ser velho. Isto não precisa e não deve ser assim.

A Revolução da Longevidade

Um dos primeiros passos nesta direção é reconhecer que sabemos pouco sobre esta mudança. O simples facto de estarmos a viver este fenómeno pela primeira vez na história da humanidade deveria ser suficiente para nos refrear a soberba. Em 1920, a esperança de vida à nascença em Portugal era próxima dos 36 anos. Em 2020 os novos portugueses já esperam viver, em média, mais 44 anos (80 no total). Para além disto, é importante destacar que ao completar os 60 anos, os portugueses vivem em média mais 24 anos, dos quais aproximadamente 18 em boa saúde.

Esta impressionante mudança demográfica observada em Portugal e no mundo fica ainda mais evidente se tomarmos em conta um período mais alargado da história. De facto, a maior parte da história humana é caracterizada por uma longevidade estagnada nos 40 anos. Durante muitos séculos, a humanidade estava adaptada para uma vida “curta”, baseada em altos níveis de natalidade e mortalidade. Um padrão que só seria quebrado com os desenvolvimentos advindos da Revolução Industrial.

Tão importante quanto a possibilidade de viver mais, é o facto da estrutura da sociedade ter mudado. A proporção de indivíduos com 60 ou mais anos em relação ao total da população já é superior a 27 por cento e as projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que esta mesma proporção cresça para 35 por cento já em 2030 (cerca de 1 em cada 3 residentes).

Estas mudanças advêm fundamentalmente de dois movimentos com impactos no topo e na base de uma imaginária pirâmide, que no passado representava a estrutura etária da população portuguesa: uma larga base de crianças e jovens, que se afunilava em direção ao topo onde se encontrava uma pequena parcela de indivíduos mais velhos.

A principal alteração na base foram a redução na mortalidade infantil e na fecundidade média. Vale a pena lembrar que para além de terem menos filhos, as mulheres portuguesas também tem tido o seu primeiro filho cada vez mais tarde na vida. Com implicações diretas na estrutura da população corrente, mas também futuras, visto que implica em maiores taxas de famílias que involuntariamente não têm filhos ou têm menos filhos do que o desejado.

Importantes intervenções de saúde pública, como a promoção de hábitos de vida mais saudáveis, a expansão dos serviços sanitários, e outros desenvolvimentos na área da medicina, como as vacinas e os antibióticos, deram o grande impulso para a redução da mortalidade. Mais recentemente, intervenções especificas, como as cardiovasculares, tem sido apontadas como principais responsáveis pelo aumento da longevidade na população mais velha. Em resumo, a população tem envelhecido porque passamos por grandes mudanças, tanto do ponto de vista da saúde pública e melhoria das condições socio económicas em geral, mas também em relação à composição e organização das famílias.

Entender a origem desta mudança ajuda-nos também a reconhecer que a conquista da longevidade implica alterações com repercussões sócio-culturais em todo o percurso da vida. Basta olharmos para as nossas famílias e compararmos, por exemplo, o número de filhos que cada geração teve, ou a mudança na proporção entre avós e netos. Lembrando ainda que esta grande mudança ocorre num período de intensa urbanização e transformações nas normas sociais, como, por exemplo, o crescente número de famílias monoparentais, divórcios e reconfigurações familiares diversas.

Qual o papel desempenhado por cada indivíduo nessas relações? O que fazer com os quase vinte anos adicionados à vida? O que fazer com aqueles que não conseguiram, puderam ou quiseram caber no «modelo positivo de envelhecimento»? Ainda faz sentido organizarmos as sociedades em torno de atividades exclusivas e segmentadas, como na típica estrutura tripartida: aprendizagem durante a infância, trabalho durante a vida adulta e aposentadoria na velhice?

Como vão as famílias se reorganizar? Que novas possibilidades de relacionamento serão criadas, e como devemos responder a estas novas necessidades? Como lidar com expectativas afetivas de amparo quando filhos únicos não têm como atender às necessidades parentais? Debater o envelhecimento populacional é, portanto, fundamental porque, num período relativamente curto de tempo, este fenómeno tornou obsoletas instituições que demoraram séculos para se consolidar e promoveram verdades enredadas a emoções.

Combater o idadismo e a precarização da velhice

Diversos acontecimentos políticos recentes tiveram a questão do envelhecimento populacional como pano de fundo. Desde logo, é importante lembrar que a população mais velha, em particular os reformados, foram provavelmente o alvo preferencial das políticas de austeridade aprofundadas no seguimento da crise de 2008. Os cortes nas pensões e a aprovação de políticas destinadas a reduzir os gastos com os sistemas de previdência, passaram a ser um dos pilares do receituário económico aplicado por toda a Europa. Entre as manifestações públicas de larga escala e com visibilidade global que mais chamaram a atenção recentemente, pelo menos duas, Chile e França, centram-se na questão dos cortes nas pensões.

Outro exemplo são os resultados das últimas eleições no Reino Unido e a suposta clivagem entre gerações. Este argumento foi amplamente utilizado por analistas políticos, quase ao ponto de nos sugerir que há algum mecanismo biológico que faz com que o indivíduo, ao envelhecer, se torne automaticamente mais conservador.

Neste ponto cabe ressaltar que as expetativas, as crenças e o conjunto de suposições que fazemos sobre o envelhecimento, sobre as pessoas idosas ou sobre o “ser velho”, não têm apenas profundo impacto na construção coletiva da velhice, mas também afetam diretamente as condições de vida das pessoas, em termos de saúde, emprego, e oportunidades em geral.

Estes estereótipos influenciam não somente as nossas decisões individuais, mas também afetam diretamente a nossa performance. Para além das barreiras concretas impostas pelos estereótipos, há ainda o risco de uma adesão inconsciente dos próprios indivíduos, passando a agir, portanto, de acordo com as expectativas.

Inspirada na expressão inglesa “ageism”, o idadismo é o nome que se dá em português ao fenómeno da discriminação com base na idade, em particular em relação às pessoas mais velhas. O termo ainda é controverso e pouco utilizado, mas tem vindo a ganhar corpo tanto no debate público como na investigação académica. É importante lembrar que este tipo de preconceito atinge diferentes idades e também implica em estereótipos positivos. O idadismo tem um paralelo claro com outros “ismos” (ex.: racismo, sexismo), no sentido em que expressa uma construção negativa do envelhecimento, produzida de forma complexa tanto ao nível individual quanto social.

O discurso que opõe os mais jovens e os mais velhos é um grande equívoco. Não há nenhuma evidência que confirme a ideia de que o envelhecimento populacional tem impacto negativo na economia. Tampouco que corrobore a ideia de que os direitos conquistados pelas gerações anteriores limitam as oportunidades dos mais jovens.

A perda de uma visão integral do envelhecimento contemporâneo, favorecendo formas de pensar e ações fragmentadas, e a forma como o envelhecimento é tratado no debate político têm uma influência particularmente importante nesta construção. Não só pelo facto de marcarem a agenda, mas também por produzirem mudanças concretas na vida de cada pessoa e por influenciarem diretamente as relações interpessoais. O debate em torno das idades da reforma (voluntária e compulsiva), e o direito da família, são provavelmente os melhores exemplos disto.

O discurso que opõe os mais jovens e os mais velhos é um grande equívoco. Não há nenhuma evidência que confirme a ideia de que o envelhecimento populacional tem impacto negativo na economia. Tampouco que corrobore a ideia de que os direitos conquistados pelas gerações anteriores limitam as oportunidades dos mais jovens. Em muitos casos, é justamente graças ao apoio mútuo, em particular dos cuidadores informais, que conseguimos evitar tragédias sociais maiores.

Os mais jovens estão certamente mais vulneráveis no atual contexto de precariedade generalizada. Vidas precárias fatalmente resultarão numa velhice precária, não apenas do ponto de vista do trabalho e dos rendimentos, mas também do ponto de vista relacional. No entanto, é importante recordar que a precariedade tem também impactos diretos e indiretos nas condições de vida, oportunidades e decisões dos outros membros da família.

Estas são algumas das razões que fazem da discussão em torno do envelhecimento um tema fundamental para todas as gerações, obrigando-nos a repensar o nosso modo de vida presente e futuro. Que perspetivamos sobre o papel do cuidador (o nosso e dos que estão à nossa volta) perante a fragilidade temporária ou permanente que inexoravelmente virá, a sobrecarga das famílias com a própria sobrevivência e um paradigma dominante de privatização das políticas para o fim da vida, onde os mais velhos não são os protagonistas das próprias decisões?

Se «viver é envelhecer», como afirmou Simone de Beauvoir, por quanto tempo pretendes viver? Como pretendes usufruir destes dias? Queres ser sujeito das políticas ou simplesmente estar sujeito às políticas?

As respostas a estas e outras perguntas não são simples e não trazem receitas de fácil aplicação. No entanto, são questões fundamentais para alargar a reflexão sobre o envelhecimento que estamos a viver, ajudando a encontrar mais e melhores motivos para a ação.

Gustavo Sugahara é economista, investigador do SERAF (Universidade de Oslo) e do DINÂMIA’CET-IU. Artigo publicado na revista Esquerda (Portugal) em março de 2020

“Envelhecimento populacional continua e não há perigo de um geronticídio”

Existe atualmente a banalização da expressão “geronticídio”, como se houvesse um processo de eliminação da população idosa pela pandemia da covid-19. Contudo, o número de mortes pelo novo coronavírus está abaixo de 500 mil no mundo e menos de 50 mil no Brasil e o número de idosos no mundo é de 1 bilhão de pessoas e no Brasil de 30 milhões de pessoas. As dimensões são completamente diferentes.

Na verdade, uma das características mais marcantes da atual dinâmica demográfica mundial é o processo de envelhecimento populacional, isto é, o aumento do número absoluto e do percentual de idosos no conjunto da população, que ocorre desde 1950, mas, principalmente, ao longo do século XXI. Estas tendências, fundamentalmente, não serão alteradas pela pandemia da covid-19.

O gráfico abaixo mostra o crescimento absoluto (barras e eixo esquerdo) e o crescimento percentual (linhas e eixo direito) dos idosos em três categorias: 60 anos e mais, 65 anos e mais e 80 anos e mais. Nota-se que o crescimento registrado e projetado é impressionante no período de 150 anos, mas o ritmo do envelhecimento na segunda metade do século XX, que ainda se dava de forma lenta, se transformou em crescimento acelerado ao longo do século XXI, conforme dados da Divisão de População da ONU.

população absoluta e relativa de idosos

A tabela apresenta os números do gráfico para alguns anos selecionados. Observa-se que a população total era de 2,5 bilhões de habitantes em 1950, passou para 7,8 bilhões em 2020 e deve alcançar 10,9 bilhões de habitantes em 2100. O crescimento absoluto foi de 4,3 vezes em 150 anos. Mas se o crescimento da população mundial foi elevado, muito maior foi o crescimento da população idosa.

O número de idosos de 60 anos e mais era de 202 milhões em 1950, passou para 1,1 bilhão em 2020 e deve alcançar 3,1 bilhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 15,2 vezes. Em termos relativos a população idosa de 60 anos e mais representava 8% do total de habitantes de 1950, passou para 13,5% em 2020 e deve atingir 28,2% em 2100 (um aumento de 3,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).

O número de idosos de 65 anos e mais era de 129 milhões em 1950, passou para 422 milhões em 2020 e deve alcançar 2,5 bilhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 19,1 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 65 anos e mais representava 5,1% do total de habitantes de 1950, passou para 6,5% em 2020 e deve atingir 22,6% em 2100 (um aumento de 4,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).

O número de idosos de 80 anos e mais era de 14 milhões em 1950, passou para 72 milhões em 2020 e deve alcançar 881 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 61,7 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 80 anos e mais representava somente 0,6% do total de habitantes de 1950, passou para 1,9% em 2020 e deve atingir 8,1% em 2100 (um aumento de 14,4 vezes no percentual de 1950 para 2100).

população absoluta e relativa de idosos

O caso brasileiro não é muito diferente da tendência global, mas o processo de envelhecimento populacional no Brasil é ainda mais rápido, conforme pode ser comparado no gráfico abaixo, que apresenta percentuais de idosos bem acima dos percentuais globais.

 

A tabela abaixo apresenta os números do gráfico, com dados do Brasil, para alguns anos selecionados. Observa-se que a população brasileira total era de 54 milhões de habitantes em 1950, passou para 213 milhões em 2020, devendo alcançar 229 milhões em 2050 e depois cair para 181 milhões de habitantes em 2100. O crescimento absoluto foi de 3,3 vezes em 150 anos (menor do que os 4,3 vezes do crescimento da população mundial).

Mas se o crescimento da população brasileira total foi elevado, o aumento da população idosa do Brasil tem sido muito mais intenso do que no cenário global. O número de brasileiros idosos de 60 anos e mais era de 2,6 milhões em 1950, passou para 29,9 milhões em 2020 e deve alcançar 72,4 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 27,6 vezes. Em termos relativos a população idosa de 60 anos e mais representava 4,9% do total de habitantes de 1950, passou para 14% em 2020 e deve atingir o impressionante percentual de 40,1% em 2100 (um aumento de 8,2 vezes no peso relativo entre 1950 e 2100).

O número de brasileiros idosos de 65 anos e mais era de somente 1,6 milhão em 1950, passou para 9,2 milhões em 2020 e deve alcançar 61,5 milhões em 2100. O crescimento absoluto está estimado em 38,3 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 65 anos e mais representava 3% do total de habitantes de 1950, passou para 9,6% em 2020 e deve atingir mais de um terço (34,6%) em 2100 (um aumento de 11,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).

O número de brasileiros idosos de 80 anos e mais era de 153 mil em 1950, passou para 4,2 milhões em 2020 e deve alcançar 28,2 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de espetaculares 184,8 vezes em 150 anos. Em termos relativos, a população idosa de 80 anos e mais representava somente 0,3% do total de habitantes de 1950, passou para 2% em 2020 e deve atingir 15,6% em 2100 (um aumento de impressionantes 55,2 vezes no percentual de 1950 para 2100).

população absoluta e relativa de idosos

É importante destacar que o número total de brasileiros vai atingir o pico populacional de 229,6 milhões de habitantes em 2045, conforme a revisão 2019 das projeções da ONU. Mas o número absoluto de idosos vai continuar crescendo, sendo que o pico de idosos de 60 anos e mais (79,2 milhões de pessoas) e de 65 anos e mais (65,9 milhões) será alcançado em 2075. O pico de idosos de 80 anos e mais (28,5 milhões) será alcançado somente em 2085. Nas duas últimas décadas do século XXI o número absoluto de idosos vai diminuir. Todavia, o percentual de idosos vai continuar subindo, trazendo novos desafios e novas oportunidades.

Todos estes dados mostram que o futuro do século XXI será grisalho, ou seja, o percentual de idosos no mundo e no Brasil alcançará cifras recordes, nunca, nem de perto, vistas na história da humanidade. As economias mundiais e nacionais, incontestavelmente, terão que lidar com uma estrutura etária desfavorável do ponto de vista da produtividade e as diferentes nações terão que se preparar para as consequências de uma alta razão de dependência demográfica. Portanto, a despeito dos traumas pessoais e de muitas famílias que sofrem com a pandemia, não existe o perigo de um geronticídio nem no Brasil e nem no mundo.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

O papel dos idosos na sociedade pós-pandemia: as trilhas da longevidade

Para discutir os desafios da população idosa no Brasil e Ibero-América, especialmente os efeitos da pandemia da Covid-19, renomados especialistas internacionais e nacionais da área se reúnem, neste mês de julho, na série especial de webinários internacionais “Trilhas da Longevidade: desafios diante da pandemia”.

A iniciativa inovadora é realizada pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e o Centro Internacional de Longevidade (ILC), em parceria com a instituição Inteligência Educacional. O evento tem o apoio da Unibes Cultural.

Os encontros serão realizados nos dias 9, 16 e 23 de julho e têm o objetivo de discutir, por meio de debates online, conhecimentos sobre os diversos aspectos que envolvem a longevidade, como qualidade de vida dos idosos, saúde, economia e cultura, além das políticas públicas específicas para essa população. “Precisamos repensar a valorização dos nossos ancestrais e o seu papel na sociedade”, alerta o presidente do ILC, Alexandre Kalache.

Para trocar experiências sobre esses aspectos, o evento reúne especialistas da Argentina, México, Espanha e Portugal, países que carregam semelhanças, mas também muitas características singulares. “Nosso objetivo foi trazer estudos de casos de culturas mais próximas à brasileira para entender o que deu certo, o que deu errado e o que nós podemos fazer para elaborar uma resposta mais efetiva no cuidado com os idosos, principalmente diante do momento delicado que vivemos mundialmente”, destaca o presidente do ILC.

Kalache evidencia a importância de entender os elementos determinantes para respostas mais bem-sucedidas nos países da região. “Na América Latina vemos situações completamente diferentes no México, Argentina e Brasil. Por isso a importância de compartilhar conhecimento, fazer análises profundas e aprender com o que aconteceu”, ressalta.

O primeiro webinário, no próximo dia 9, será aberto pelo chefe da representação da OEI no Brasil, Raphael Callou. “Os encontros trarão um panorama das políticas públicas realizadas na Ibero-América, oferecendo ao Brasil um bom diagnóstico e ao conjunto da sociedade a oportunidade de discutir esse tema com a profundidade necessária”, ressalta. Um relatório final será consolidado no terceiro webinário, dia 23 de julho, ocasião que contará também com a participação do secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero.

Lançamento – Dentro da série de webinários, a instituição Inteligência Educacional irá lançar a publicação “Trilhas da Longevidade”. O conteúdo da coleção é inédito ao sugerir formas de envelhecimento planejado. O material, composto por quatro livros, propõe mostrar o caminho para proporcionar uma vida melhor e mais feliz para as gerações futuras. Cada publicação é voltada para um público específico: a pessoa idosa, a família, os cuidadores, além de apontamentos sobre gestão e políticas públicas.

A diretora e CEO da Inteligência Educacional, Milena Araújo, destaca que é preciso estudo e planejamento para que a nação envelheça de forma digna, garantindo o bem-estar para toda a população brasileira. “Permitir que o assunto seja desenvolvido em um evento internacional, em que teremos opiniões, exemplos, práticas e diagnósticos se faz fundamental para se estruturar propostas e políticas públicas sobre longevidade saudável. Por isso o Webinário Trilhas da Longevidade é tão caro para o assunto”, diz.

Serviço:
Série de webinários – Trilhas da Longevidade – desafios diante da pandemia
Realização: Organização dos Estados Ibero-Americanos
Datas: 09, 16 e 23 de julho
Horário: 11h30 às 13h
Plataforma: Youtube.com/OEIBrasil ou @OEIBrasil
Inscrições para certificação: https://bit.ly/webnário-internacional-trilhasdalongevidade

segs.com.br

Envelhecer, simplesmente envelhecer!

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,

Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,

Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,

Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,

Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,

Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,

Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,

Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,

Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,

Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,

Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,

Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,

Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,

Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,

Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,

Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,

Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,

Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,

Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,

Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,

Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,

Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Gosto desta crônica de M.Concita Weber, combina perfeitamente comigo.

Bia Perez/ Terceiro Ato

Renato Aragão: “como é ser demitido na velhice?”

 

Apesar de ter ficado fora do ar nos últimos três anos na Globo, Renato Aragão ainda tinha o nome ligado à emissora e fazia participações em programas da casa e eventos como o Criança Esperança. A demissão do eterno Didi surpreendeu quem imaginava que ele poderia ter um acordo vitalício com a empresa. Aos 85 anos de idade, o líder dos Trapalhões se viu desempregado após 44 anos de contrato.

Como encarar a demissão na velhice? No caso de Aragão, que tem boa situação financeira, familiar e de saúde, o maior desafio é a questão da produtividade e a “preparação” para essa mudança de status na carreira. É o que explica Sigmar Malvezzi, doutor em Psicologia Organizacional e professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), em entrevista ao Notícias da TV.

“O que precisa fazer é criar estrutura e preparar o indivíduo para essa mudança na vida. Se você não faz isso, você é cruel”, ensina o especialista. Renato Aragão se reinventou antes mesmo de perder a segurança que tinha com o seu contrato.

O humorista se tornou um fenômeno na web, com mais de 3,5 milhões de seguidores no Instagram e mais de 1,1 milhão de fãs no Tik Tok, a rede social do momento. Sem produzir para a Globo, foi na internet que ele encontrou uma forma de não ficar parado e continuar fazendo graça para quem sempre o acompanhou.

“Em si mesmo, a demissão não é um problema. Depende do caso. Mas o que é preciso fazer é se preparar para a mudança, fazer pequenas tarefas e algumas dessas pequenas podem ser profissionais”, ressalta Malvezzi.

Sem a cobrança diária de resultados de audiência, patrocinadores e tudo o que envolve um programa de televisão, a rede social se tornou uma ferramenta de diversão para Renato Aragão e a família. E agora, fora da Globo, existe a chance de fechar projetos específicos com outras empresas, como Netflix e Amazon, ou até mesmo com a antiga casa. Mas sem pressão por números.

“A aposentadoria é uma necessidade, porque o indivíduo chega em um ponto da vida que ele não tem mais condição de acompanhar a dinâmica do mundo, então ele precisa estar em um sistema que o proteja da competitividade feroz”, opina o professor da USP.

UOL/USP

Ele envelhece Bem_ Ary Fontoura, 87 anos

 

No ar na novela Êta Mundo Bom!, da Globo, Ary Fontoura tem feito sucesso inesperado no Instagram. Desde que iniciou seu isolamento, em março, o ator de 87 anos começou a compartilhar com o público cenas de seu dia a dia na quarentena. Fotos em que mostra praticando atividades físicas, limpando a casa, tomando sol, preparando alguma receita na cozinha, entre outros momentos triviais da vida doméstica.

Assim, com postagens simples, de incentivo, Fontoura atingiu recentemente a marca de 1 milhão de seguidores. E, sem essa pretensão, tornou-se influenciador digital. “O que mais há hoje em dia são pessoas descuidadas, andando sem máscara na rua, em aglomerações, vivendo como se não houvesse amanhã. Como se a vida continuasse igual ao que era. Não é verdade, estamos em estado de alerta ainda. É uma das coisas que faço questão de manifestar por meio da minha página do Instagram”, diz o ator, em entrevista ao Estadão, por telefone, de sua casa no Rio.

Ele conta que começou seu perfil na rede social para exibir fotos da carreira e de sua rotina. “De repente, passou a ser uma página elucidativa para muitas coisas: como estava sendo para mim, ao mesmo tempo que meu aprendizado acontecia, eu transferia para as pessoas.”

São atividades que, segundo Fontoura, já faziam parte de seu cotidiano. “A gente que é ator, que tem uma longa carreira, fica sozinho em apart-hotel, tem de fazer as coisas para a sobrevivência. Então, eu sabia lavar uma roupa, fazer uma comida, pelo menos uma omelete para poder ficar em pé. Isso é como escovar os dentes, é uma coisa que todo mundo tinha de aprender. Pegar uma vassoura e sair varrendo, só não faz quem não quer.”

E por que ele acha que essas postagens andam tocando tanto as pessoas? “Elas acharam que eu estava fazendo um grande bem. Na verdade, estou ainda, transmitindo meu bom humor, paciência, falando que, enquanto há vida, há uma esperança muito grande. E deu certo, as pessoas são muito carinhosas.” Além disso, o ator diz que faz questão de responder aos comentários. “Mas não é tudo uma maravilha, não. Alerto todo mundo para que não se distraia, para que continue dessa maneira, porque, quando se anunciou o vírus no Brasil, a gente já sabia o que estava acontecendo lá fora.

A todo momento, estou me informando e vendo notícias na televisão sobre o que está acontecendo nos Estados. Quando as pessoas saem à rua, parece que o mundo vai acabar, sai todo mundo de uma vez só. E se continuarem dessa maneira, se aglomerando, fazendo festas particulares, contrariando as determinações impostas, estão fazendo uma grande bobagem. Se usar máscara é uma necessidade, tem que colocar, sim. ‘Ah porque incomoda, porque é calor’. E daí? Incomoda muito mais ficar numa cama de hospital, sem ter como respirar.”

Compacto do Estadão Digital