Apesar de ter ficado fora do ar nos últimos três anos na Globo, Renato Aragão ainda tinha o nome ligado à emissora e fazia participações em programas da casa e eventos como o Criança Esperança. A demissão do eterno Didi surpreendeu quem imaginava que ele poderia ter um acordo vitalício com a empresa. Aos 85 anos de idade, o líder dos Trapalhões se viu desempregado após 44 anos de contrato.

Como encarar a demissão na velhice? No caso de Aragão, que tem boa situação financeira, familiar e de saúde, o maior desafio é a questão da produtividade e a “preparação” para essa mudança de status na carreira. É o que explica Sigmar Malvezzi, doutor em Psicologia Organizacional e professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), em entrevista ao Notícias da TV.

“O que precisa fazer é criar estrutura e preparar o indivíduo para essa mudança na vida. Se você não faz isso, você é cruel”, ensina o especialista. Renato Aragão se reinventou antes mesmo de perder a segurança que tinha com o seu contrato.

O humorista se tornou um fenômeno na web, com mais de 3,5 milhões de seguidores no Instagram e mais de 1,1 milhão de fãs no Tik Tok, a rede social do momento. Sem produzir para a Globo, foi na internet que ele encontrou uma forma de não ficar parado e continuar fazendo graça para quem sempre o acompanhou.

“Em si mesmo, a demissão não é um problema. Depende do caso. Mas o que é preciso fazer é se preparar para a mudança, fazer pequenas tarefas e algumas dessas pequenas podem ser profissionais”, ressalta Malvezzi.

Sem a cobrança diária de resultados de audiência, patrocinadores e tudo o que envolve um programa de televisão, a rede social se tornou uma ferramenta de diversão para Renato Aragão e a família. E agora, fora da Globo, existe a chance de fechar projetos específicos com outras empresas, como Netflix e Amazon, ou até mesmo com a antiga casa. Mas sem pressão por números.

“A aposentadoria é uma necessidade, porque o indivíduo chega em um ponto da vida que ele não tem mais condição de acompanhar a dinâmica do mundo, então ele precisa estar em um sistema que o proteja da competitividade feroz”, opina o professor da USP.

UOL/USP