Sala de Aula _ QQ dose de álcool traz risco cardíaco?

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Pesquisa que analisou dados de milhares de pacientes diz que não há nível de consumo de álcool que livre alguém de riscos cardíacos. Pesquisa que analisou dados de milhares de pacientes também encontrou variantes genéticas que predispõem uma pessoa a beber mais ou menos.

Dois pacientes perguntaram a Stanley L. Hazen, cardiologista da Cleveland Clinic, qual quantidade diária de álcool seria boa para sua saúde cardíaca. Ele deu a ambos conselhos médicos bem aceitos: a média de uma dose por dia ajuda o coração. Mas ele leu um artigo no JAMA Network Open cujas descobertas derrubaram seu conceito. O artigo, diz, “mudou minha vida completamente”. A conclusão: não há nível de consumo que livre do risco de doença cardíaca. O risco é pequeno ao se beber, em média, sete doses por semana em comparação com nenhuma. Mas cresce rapidamente à medida que o consumo sobe.

O estudo envolveu análises sofisticadas dos genes e dados médicos de quase 400 mil pessoas registradas no UK Biobank, repositório britânico. A idade média dos selecionados para o estudo foi de 57 anos, e eles disseram consumir média de 9,2 doses por semana.

Alguns pesquisadores relataram que beber pouco protege o coração porque bebedores moderados, em conjunto, têm menos doenças cardíacas do que quem bebe muito ou quem não bebe. Krishna G. Aragam, cardiologista preventivo do Massachusetts General Hospital e um dos autores do estudo, e seus colegas também viram esse efeito. Mas a razão, relatam, não é que o álcool protege o coração. É que bebedores leves a moderados – até 14 doses por semana – tendem a ter outras características que diminuem seu risco, como fumar menos, se exercitar mais e pesar menos do que os outros.

Não se sabe o porquê. Mas o estudo do Biobank não perguntou por que bebiam ou não, só tentou distinguir efeitos do álcool no coração e os de outros hábitos e características. Para isso, usaram um método chamado randomização mendeliana.

Os cientistas descobriram variantes genéticas que predispõem a pessoa a beber mais ou menos. Como as variantes são distribuídas aleatoriamente na população, podem funcionar como algo equivalente a designar aleatoriamente alguns para se absterem ou beberem em níveis variados. RESULTADOS. Vários estudos anteriores eram observacionais: as pessoas eram monitoradas para ver se o volume de bebida era ligado à saúde cardíaca. Só veem correlação, mas não a causa. Mas o uso da randomização mendeliana é mais sugestivo de causalidade, por isso o resultado pode ter mais peso. “Se escolhe beber, precisa saber que, além de certo nível, o risco cresce muito. E se beber menos, terá a maior parte do benefício se ficar na faixa de sete doses por semana”, disse Aragam.

O Estado de S. Paulo

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