Sala de Aula: Cohousing, o melhor de dois mundos

Cohousing: modelo de moradia que combina o hardware da construção com o software da comunidade

 

Temos que reinventar a maneira de viver e morar. E de recuperar a convivência que existia entre vizinhos, nos tempos antes que a individualização extremada tomasse conta das nossas vidas e nos deixasse no deserto árido do isolamento e da solidão.

Muitos de nós podemos até ter sonhado ou idealizado um modo de morar e viver com amigos. Por mais que a hipótese pareça mais como um sonho nunca realizável, existe sim um modelo de moradia que buscou aterrar esse sonho, e dar-lhe contornos práticos e factíveis. Ele começou a se materializar na Dinamarca, nos anos 70. 

O sonho ganhou nome e tecnologia. Veio a chamar-se cohousing. Sua pedra de toque seria a combinação de privacidade com a comunidade.

Isto para que as pessoas pudessem desfrutar do melhor de cada um, de uma forma cooperativa, com suporte mútuo, potencialização dos talentos individuais, e desfrute de uma vida em comum. Mantendo-se, entretanto, a vida privada, e a ela adicionando, como o recheio do bolo, ou como se fosse o software para o hardware do condomínio, a alma que faria dessa união de casas ou apartamentos uma verdadeira comunidade. E isso se dando através de interações intencionais, como alguns jantares comunitários, ou o cuidar da horta em equipe, as reuniões, cursos ou palestras, os grupos de interesse, como o de trabalhos manuais, ou de apoio aos membros, paisagismo, e muitos mais, dependendo apenas do interesse e da personalidade de cada cohousing. 

E com isso a vida vai ficando muito mais colorida, onde cada membro da comunidade é reconhecido pela sua individualidade, habilidades, interesses e participação no todo. 

O resultado: o desenvolvimento de um senso de pertencimento, uma das nossas supremas necessidades, no alto da hierarquia da pirâmide de Maslow. 

E foram se criando as diversas modalidades. Como os cohousings seniors, para membros acima dos 50 ou 55 anos, e os cohousings multigeracionais.

E também, cohousings urbanos e os cohousings rurais, para os adeptos de uma vida mais em contato com a natureza.

E onde os cohousings se diferenciam dos condomínios?  

 

Vamos fazer uma analogia com os primórdios da era digital. Quando o foco esteve na criação dos primeiros microcomputadores. Para seus fabricantes, eles eram o grande ativo, e seriam o grande gerador de caixa e lucros das empresas. A tal ponto que eles relegaram a criação dos códigos para sua utilização, a linguagem, a interface entre os humanos e as máquinas, a empresas juniores, que se propunham a aceitar contratos de criação desses softwares, os chamados sistemas operacionais. E aí, numa reviravolta da história, o Davi engoliu o Golias, e se transformou no novo ícone desta era, relegando as empresas fabricantes das máquinas a segundo plano.

O cohousing combina o hardware dos condomínios (casas, apartamentos, vias de circulação, salas comuns, piscinas, ateliês, etc) ao software da criação da comunidade. E quando falamos da criação da comunidade estamos falando de um processo, de uma sucessão de encontros, conversas, alinhamentos, descobertas, discussões, consensos, risos e choros, na direção da consecução do objetivo de criação do cohousing, encontros esses que aproximarão as pessoas, transformando-as, lentamente, de simples candidatos a morar juntos em verdadeiros membros de uma comunidade, com laços em comum, respeito, troca de experiências e afinidades. 

Terminamos esse artigo com uma frase que explicita bem esse processo e a transformação gerada nas pessoas, por parte de um participante destas reuniões: “No início eu queria saber, e decidir, onde iria morar. Depois de tantos momentos juntos eu reformulei meu desejo: Não importa mais onde, desde que seja com vocês”. Ou seja, a alma da comunidade foi criada!

Edgar Werblowsky

Curso Internacional de Cohousing

www.cursocohousing.com.br

Freeway Viagens

www.freeway.tur.br

Free Aging

www.freeaging.com.br

Fotos de uma comunidade de Massachusetts, Estados Unidos

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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