“The Day After”: o risco de contaminar-se ao ar livre é quase zero

Tenho acompanhado o noticiário sobre  a Covid-19  e a quarentena para nós, idosos. Penso que talvez nossa paciência se esgote antes de uma solução mais de longo prazo.  Estou vacinada e saudável. Vou começar a sair. Deixar a casa. Pequenas incursões. Caminhadas, supermercado. Visitas  “ en petit comité”. Com máscara e álcool-gel na sacola. Reparei que algumas pessoas também buscam alternativas. Turnos, privilegiar espaços amplos, evitar aglomeração  mesmo as pequenas como nos clubes.  O conteúdo a seguir foi publicado pelo UOL, no ano passado. Mas é bem atual. Thereza Christina 

 

Mesmo assim, muita gente ainda fica em dúvida se está tudo bem retomar as atividades na rua ou se o melhor é continuar em casa, para não correr o risco de ser contaminado e também para evitar que os casos de covid-19 voltem a crescer.

Antes de tudo, é importante saber que a pandemia não acabou. Sendo assim, a flexibilização não significa que devemos deixar de nos prevenir. Mas, com precauções como higienizar bem as mãos, usar máscara, ficar cerca de 2 metros distante de outras pessoas e respeitar as regras de flexibilização, não há problemas em retomar as atividades liberadas. Inclusive, essa é a ideia. A questão é ter consciência. Por exemplo, atualmente, é melhor um passeio ao ar livre do que em local fechado, já que em lugares abertos a circulação de ar é maior e, por isso, há menos chance de contato com o vírus.

Para você entender melhor o momento que vivemos hoje e como se proteger, o VivaBem explica alguns pontos a seguir, com a ajuda de Rosana Richtmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP) e Igor Maia Marinho, infectologista da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador médico do Hospital AACD.

Risco é baixo ao ar livre, mas ainda requer cuidados

Um artigo publicado no final de junho, no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), destacou a importância do uso de máscara e indicou que a a principal fonte de disseminação do vírus é pelo ar.

A tese foi reforçada por um estudo preliminar publicado na plataforma MedRxiv (sem revisão por pares) e desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Flórida (EUA). Essa pesquisa mostrou que as partículas do vírus podem permanecer no ar como aerossóis, se espalhando rapidamente. E aqui vale lembrar que a transmissão por aerossol ocorre quando várias gotículas respiratórias produzem aerossóis microscópicos por evaporação e quando uma pessoa respira, tosse, espirra ou fala.

Por outro lado, de acordo com Rosana Richtmann, se você mantiver o distanciamento de cerca de 2 metros, o risco de ser contaminado por esses aerossóis em um local ao ar livre, como um parque, é praticamente nulo.

Se você estiver em um ambiente aberto com poucas pessoas, o risco, na minha opinião, é praticamente zero. Porém, se você estiver em um ambiente aberto, mas com muita gente cruzando com você e, em especial, se estiver sem máscara, o risco não é mais zero. Ele é muito menor do que em um ambiente fechado, mas não é zero.

O mesmo cenário serve para uma praia com poucas pessoas. “É um ambiente aberto, bem ventilado. Se você estive afastado e com máscara, o risco é muito, muito pequeno. No entanto, ele começa a aumentar, um pouco, se você estiver numa praia, mesmo com pouca gente, mas que tenha pessoas falando alto, cantando, gritando e próximas umas das outras. Então, mesmo num ambiente aberto, o risco já sobe”, explica Richtmann.

A especialista ressalta, ainda, que é muito difícil alguém permanecer de máscara na praia e, por isso, sugere quatro dicas para aproveitar os dias de calor:

Evite aglomerações;
Visite praias mais distantes;
Mantenha o distanciamento social mínimo de 2 metros;
Fale pouco, não cante nem grite.
Para avaliar os riscos de contágio na circulação de ar, aglomeração, tempo de exposição ao vírus, uso ou não de máscara, o que as pessoas estão fazendo (falando, cantando ou gritando), pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do MIT, nos EUA, desenvolveram uma tabela.

De acordo com a tabela, por um período rápido, em um ambiente ao ar livre ou mesmo fechado, mas bem ventilado, com poucas pessoas, em silêncio e usando máscara, o risco de contágio é baixo. Em contrapartida, se tiver muita gente no local, mesmo sendo ao ar livre, por um período prolongado, o risco de contágio é iminente, embora as pessoas estejam usando máscara.

Saudades da família, né?

A maioria das pessoas se afastou da família por meses, especialmente dos idosos, para evitar a proliferação da covid-19, mas a saudade já apertou demais e a vontade de dar aquele abraço também.

E agora? Visitas estão liberadas com a flexibilização? Tudo depende do local, da quantidade de pessoas que estão ao redor e da forma como elas se comportam.

Considerando que, em meio aos familiares quase ninguém fica de máscara o tempo todo, segundo Richtmann, em um cenário perfeito, o ideal seria que as pessoas fizessem o teste para saber se estão infectadas, antes de visitar a família, sobretudo aqueles que têm uma rotina de trabalho fora e que, consequentemente, ficam mais expostos ao vírus. Essa medida ajudaria a prevenir novos contágios, uma vez que muitas pessoas são assintomáticas.

Saiba qual o risco de contágio que cada atividade oferece, segundo pesquisadores do Texas
“Continuo super-sensibilizada com a pandemia. Tenho diversos pacientes hoje, intubados, na UTI, em casa, apavorados com os reflexos da doença, cansados. Ou seja, a pandemia não acabou e você não imagina o número de pessoas que vão ter sequelas pós-covid”, diz Richtmann.

Caminhar, correr ou tomar um ar na rua sem máscara: pode?

Para fazer qualquer atividade em espaços públicos, a recomendação dos especialistas (e o que determina a lei no país) é que usemos máscara. Isso porque, mesmo que você esteja sozinho, o local é público e isso significa que mais pessoas podem aparecer a qualquer momento. Então, o problema não é o ambiente em si e, sim, a presença de outras pessoas.

“Existe, sim, o risco de contaminação, porque partículas com o vírus podem permanecer no ar por algum tempo, mas, principalmente, porque você pode se deparar com pessoas (que ao falar podem liberar gotículas). Então, criar o hábito de não usar máscara, no momento que a gente vive agora, pode acabar ocasionando a possibilidade de se infectar”, avalia Igor Maia Marinho.

Ambiente privado x público

“Se você está em um ambiente com a sua família, dentro de casa, na piscina ou num sítio, daí não importa mesmo. Mas ambientes abertos, de um modo geral, são compartilhados e públicos. E daí eu tenho que usar máscara? Sim, porque pode ser que outra pessoa sente perto, passe correndo ou de bicicleta”, enfatiza Marinho.

Por fim, a recomendação é aproveitar as conquistas obtidas até hoje conscientemente. Vai sair de casa? Use máscara. “O vírus continua circulando, felizmente numa quantidade menor e, sim, nós temos que manter o básico, porque a gente não está livre de ter uma segunda onda e ter que abrir mão de tudo que nós conquistamos até o momento, que não foi fácil. Não é agora que temos que baixar a guarda e correr o risco de voltar”, conclui Richtmann.

UOL VivaBem

 

 

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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