O poeta e escritor gaúcho Fabrício Carpinejar  publicou nesta semana no seu blog um lindo texto.  “Dez Mandamentos do Filho com a Velhice dos Pais”. Estou republicando aqui.

1) Não permita nunca que os seus velhos pais sejam mendigos de seu afeto. Que não demore dias para retornar a ligação.

2) Que não marque e desmarque encontros, que não dê desculpas do excesso de trabalho. Não torture com a esperança. Não prometa para mudar de ideia em cima da hora. Cumpra aquilo que foi agendado.

3) Que não compre brigas tolas com os irmãos – porque sobrará sempre para os pais aguentar as lamúrias dos dois lados, resolver as diferenças e encontrar a paz.

4) Não minta sob o pretexto de poupá-los do sofrimento. Divida a dúvida.

5) Que confie na destreza dos pais em realizar as suas tarefas, não confunda lentidão com incapacidade.

6) Que mostre algo que aprendeu com eles, exercitando a saudade na presença.

7) Que não fique irritado ao ouvir as mesmas histórias, que ofereça paciência para descobrir novos detalhes das lembranças.

8) Que aceite conselhos, por mais divergentes que sejam da sua opinião. Não corte a conversa porque já imagina onde vai parar.

9) Que peça a benção. Que diga eu te amo.

10) Que, de longe, acene para a janela.

Do Blog do Poeta e Escritor

PS: O título de um dos últimos livros de Fabrício Carpinejar não poderia ser um recado mais claro: “Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde” (Bertrand Brasil). Mas o livro é mais do que isso. Trata-se, nas palavras do próprio escritor, de uma “canção de ninar aos pais”, um “pedido de desculpas” de um filho adulto tentando ser “o filho possível”.
Em forma de pequenas reflexões sem títulos ou divisão em capítulos, Carpinejar compõe uma grande narrativa sobre o envelhecer em família. Um relato sincero de um filho que percebe a finitude dos pais e o privilégio da convivência com eles. Eu li e amei. TCJ

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.