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Envelhecimento Ativo é ter novas experiências. E observá-las. Imagino que inicialmente, o fato de envelhecer é ainda a fase Casulo da borboleta. indefinido e feio. O momento Borboleta do envelhecer é algo constatável. A alma encontrou uma outra morada que não é mais lugar intermediário, entre a juventude e a maturidade. Algo foi absolutamente definido como diferenciado. A alma encontrou a morada Envelhecer.

Nesse momento, a posso me sentir traída Fui despachada, sem consulta, para um país desconhecido, de cultura esquisita, de língua estrangeira. E sentir solidão.

O ser humano nasce adaptável, do contrário a própria gravidez seria só um fardo. E não é. Quando o bebê deixa o corpo da mãe para a existência individual e independente, todos sofrem durante esta mudança. A mãe sente o vazio, o pai, como um estrangeiro, e o bebê o desconforto do novo ambiente.

Felizmente, os meses seguintes inauguram um novo ciclo com novas descobertas, sustos, e uma colheita que deixa todos mais ricos.

Diante do inevitável e dos sinais de envelhecimento, a gente pode não querer pensar no assunto. E fugir também é uma saída bastante humana para qualquer confronto.

Ocorre que aí a gente perde. Não está verdadeiramente em lugar nenhum. Quem não está em lugar nenhum não acha companhia, parceiros e parceiras, identidade, memória, passado, fotos amareladas, músicas, cheiros das lembranças, o seu tesouro.

Quando era pequena tinha um hábito que perdura até hoje. No dia do meu aniversário não abro os presentes e tenho costume de tomar um café da manhã bizarro. Pão francês ainda quente com manteiga e coca-cola. No dia seguinte, ao abrir os presentes e olho com muito amor para eles. Sinto a mesma alegria da infância. Procuro o melhor lugar para guardá-los e alguns vão para a caixa dos tesouros, as coisas que mais gosto.

Este ano o meu aniversário foi especialmente precioso. Olhei no espelho e reconheci que minha alma e meu corpo finalmente pararam de guerrear um contra o outro. As novas experiências têm ocorrido com frequência e diante delas tenho uma atitude de observação respeitosa. Procuro acolhê-las com carinho.

Envelhecer me transformou em alguém que ama a si mesma. Que mantém um diálogo permanente entre as várias therezas christinas contidas em mim. E há uma profunda paz.

Thereza Christina Jorge, editora

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.


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