Segundo o Ministério da Saúde, 75% dos idosos brasileiros dependem do SUS. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara, o modelo de saúde brasileiro “é do século passado”, focado em doenças agudas, infecciosas, que eram resolvidas com medicação. Hoje, entretanto, há uma prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e que exigem um cuidado contínuo.

Apesar de ocupar lugar de destaque no Estatuto do Idoso – que completou 15 anos no dia 1º de outubro – a garantia de acesso à saúde é um dos itens que mais registra queixas por parte dessa população. O fato fica mais grave depois que o Ministério da Saúde divulgou o resultado do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). O ELSI-Brasil apontou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que cerca de 70% desse público possui pelo menos alguma doença crônica. 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara, o modelo de saúde brasileiro “é do século passado”, focado em doenças agudas, infecciosas, que eram resolvidas com medicação. Hoje, entretanto, há uma prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e que exigem um cuidado contínuo.

“Um dos desafios são as doenças cardiovasculares. Precisamos de políticas públicas para que se consiga controlar melhor os pacientes que têm pressão alta e diabetes. Temos que ir além do fornecimento de medicações a preços acessíveis. Precisamos de locais onde toda a população que envelhece consiga desenvolver atividades físicas com regularidade,  consiga ter acesso a alimentos mais saudáveis.  É importante lembrar ainda que, com o envelhecimento, aumenta a incidência de doenças neurológicas, principalmente demências.

O país não está preparado para oferecer esse tipo de atendimento porque ainda existem muitos profissionais em atuação e que, na sua formação, não tiveram formação específica sobre o idoso. Ele não é o adulto velho. 

É preciso treinar essas equipes que já estão em atuação com conhecimento gerais em gerontologia, para que possam acompanhar essa população. A depressão, por exemplo, tem um quadro diferente em idosos. A equipe tem que estar atenta para identificar esses casos. Não adianta esperar que o idoso fique apático, acamado. O quadro de depressão do idoso é atípico, os sintomas são diferentes. O idoso deprimido nem sempre apresenta isolamento. Ele perde a vontade de viver, mas segue com a rotina. Também precisamos pensar em equipamentos diferentes no âmbito da saúde.  Pensar em ambulatório, hospital de retaguarda, serviços para cuidados paliativos. É preciso ter toda uma rede de atenção, com centros dias, centros de convivência, atendimento domiciliar, cuidadores e instituições de longa permanência.

O envelhecimento da população, no Brasil, é heterogêneo. As populações mais envelhecidas, hoje, pelos dados do IBGE, estão no Sul, onde se concentram os maiores índices de pessoas com mais de 60 anos. Essas cidades, daqui alguns anos, vão ter mais idosos que jovens. Em algumas delas, já existe um olhar para os centros dia, que atendem pacientes com demência, com Alzheimer, com demência vascular, entre outros, e que passam o dia realizando atividades para manter sua autonomia e sua independência. Também temos, em algumas localidades, pelo Poder Público, a abertura de instituições de longa permanência para idosos, os antigos asilos. Mas estamos falando de um avanço que não é homogêneo. São algumas iniciativas, em algumas unidades federativas. Mas não é um movimento por igual no Brasil todo. Houve avanço em alguns estados, mas existem muitos outros que não evoluíram nesse sentido.”

OBS: O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) faz parte de uma rede internacional de grandes estudos longitudinais sobre o envelhecimento e traz informações sobre como a população está envelhecendo e os principais determinantes sociais e de saúde. A ideia é que esse estudo traga subsídios para a construção e adequação de novas políticas públicas para fortalecer a saúde do idoso.

Informações da Agência Brasil e do Ministério da Saúde

 

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.




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