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11350887-189x300O livro do ano chama-se  “Novos velhos _ Viver e envelhecer bem”. É um estudo (brilhante) sobre a revolução cultural que está acontecendo no Brasil com os baby- boomers, a geração que nasceu após a Segunda Guerra. Embora tenha começado a ser  escrito a cerca de 7 anos, ele continua excelente. E foi uma inspiração para mim durante 2016.

A seguir, a entrevista com a autora a jornalista e escritora Léa Maria Aarão Reis.

A jornalista Léa Maria Aarão Reis lançou um livro profético: “Novos velhos, viver e envelhecer bem”, pela editora Record, há cinco anos. A autora define o trabalho como um livro jornalístico e acredita que a informação pode servir de ponto de partida para futuras análises.

Durante dois anos, Léa Maria entrevistou médicos neurologista e oncologista, psicólogos, psicanalistas, uma demógrafa e uma terapeuta corporal. A pesquisa que deu origem ao livro também serviu de base para a organização de dois cursos sobre a nova maneira de envelhecer para a Casa do Saber, no Rio de Janeiro. Léa como grande repórter anteviu o que a ciência chama de Envelhecimento Ativo, tema do nosso blog. Ou, como querem alguns, a 4ª Idade.

8501081256_niComo surgiu a ideia do livro?

Há mais de duas décadas levanto dados no processo de envelhecimento da população do país, especialmente nos grandes centros urbanos. E isso coincidiu com o meu próprio envelhecimento.

Quem são os novos velhos?

Uma população com mais de 60 anos, economicamente plena e ainda cheia de saúde para aproveitar a vida. No Brasil, mais de 20 milhões de pessoas que nasceram com o baby boom do pós-guerra, nos anos 40/50, e viveram as grandes mudanças e as rupturas de comportamento da década de 60. Eles promovem, pela segunda vez, outra fascinante revolução de costumes.

O que mudou?

Mudou a forma de encarar a vida e também a morte. Talvez a morte, embora ainda difícil de ser aceita, começa, no entanto, a ser pensada com certa leveza. Aliás, leveza e senso de humor são características da geração que foi jovem nos anos 60.

O que acha de termos como “terceira idade, melhor idade e etc…”?

Não gosto de usar o termo terceira idade, melhor idade nem feliz idade como alguns, hipocritamente, denominam a velhice com o objetivo de mostrar que ser velho é ótimo. A velhice é difícil, especialmente numa sociedade como a nossa que, a todo instante, desrespeita os idosos e é obcecada pelo mito da eterna juventude.

A seu ver a fantasia da eterna juventude pode atrapalhar em vez de ajudar?

A fantasia de que somos todos idealmente astronautas a flutuar em um mundo antigravitacional de beleza eterna pode ser uma maldição.

Qual o principal desafio dos brasileiros?

O Estatuto do Idoso é um avanço na rede de proteção do idoso.  Mas é essencial aprimorar a rede pública de saúde e urbanizar áreas degradadas onde vivem populações pobres. O Estado deve garantir às classes populares recursos mínimos para acesso aos medicamentos, vitaminas, cuidados fisioterápicos, esportes, sessões de exercícios físicos e acesso a alimentos mais saudáveis.

Como enfrentar o problema do custo do envelhecimento?

O ideal é que os investimentos nas duas pontas da população sejam equilibrados. No Brasil, por enquanto, estamos em fase de transição.

Com toda mudança se reflete na vida sexual ?

A questão não é ser ou não ativo sexualmente, mas ser ativo ou passivo do ponto de vista econômico. Quem é ativo neste sentido é mais seguro de si, tem mais autorrespeito e, portanto, é mais livre para o exercício da sexualidade. A sexualidade dos idosos, no caso das mulheres, ainda é um assunto abordado com extrema discrição porque envolve a contemplação do envelhecimento do corpo, como já mostrava Simone de Beauvoir. Já os homens velhos contam com os estimulantes à sua disposição no mercado para se reposicionarem sexualmente.

Como aproveitar essa sobrevida?

Este tempo é um tempo extra. É necessário saber administrá-lo sem a pretensão de controlá-lo, e não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje porque o tempo vai ficando curto. É fundamental manter a independência, na medida do possível e até onde der. Deve aprender também a dizer não. Ser solidário, deixar aflorar a doçura, e brigar, se for necessário, para manter-se produtivo e no mercado de trabalho que, não raro, tenta expulsá-lo da cena, até prematuramente.

Em suas entrevistas, quais as principais preocupações apresentadas?

Percebe-se a ocupação de refinar e proporcionar um acabamento requintado à própria existência neste mundo, cada um ao seu modo. E os projetos: todos, também cada qual à sua maneira, falam de projetos. Isto é emocionante.

Uma última observação?

O envelhecimento global, em todo o Ocidente, é um aspecto da vida, no século XXI, tão importante quanto o aquecimento do planeta.

NOVOS VELHOS /Léa Maria Reis /Grupo Editorial Record/Editora Record

 

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.