O Brasil tem 208 milhões de brasileiros. 30 milhões idosos. Menos  de 5% desse total está usufruindo do bônus demográfico e aproveitando a longevidade com qualidade de vida:  1,6 milhão é o universo dos seniores privilegiados com qualidade de vida, uma renda de cerca de R$ 6 mil mensais, capaz de colher os frutos da proposta Envelhecimento Ativo da Organizacão Mundial lde Saúde  (OMS). Comemorar o Dia do Idoso com a promessa de associar longevidade com qualidade de vida para todos.

Silver Power, Economia Prateada, mercado mundial valendo US$ 15 trilhões ao ano, ativistas da Longevidade se multiplicam com a mesma velocidade do envelhecimento do país. Este panorama é o lado positivo. O potencial do crescimento dos idosos e idosas na populacão brasileira pode resultar em boas novidades. Afinal em 10 anos, o mercado para cuidadores de idosos cresceu 547%. Nenhuma profissão teve uma expansão como essa. Mas…

A continuar com o crescimento dos idosos pobres e doentes, que não têm os cerca de R$ 6 mil para aperfeiçoar a sua vida e conceder uma sobrevida de opções e cuidados.

Por que Envelhecimento Ativo?

A Organização Mundial da Saúde cunhou o termo Envelhecimento Ativo.

Se quisermos que o envelhecimento seja uma experiência positiva, uma vida mais longa deve ser acompanhada de oportunidades contínuas de saúde, participação e segurança.

“O envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos populacionais. Permite que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que essas pessoas participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades; ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários.

A palavra “ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho. As pessoas mais velhas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma doença ou vivem com alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e países.

O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados. O termo “saúde” refere-se ao bem-estar físico, mental e social, como definido pela Organização Mundial da Saúde. Por isso, em um projeto de envelhecimento ativo, as políticas e programas que promovem saúde mental e relações sociais são tão importantes quanto aquelas que melhoram as condições físicas de saúde.

Manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é uma meta fundamental para indivíduos e governantes .

Além disto, o envelhecimento ocorre dentro de um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família.

Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo. A criança de ontem é o adulto de hoje e o avô ou avó de amanhã.

A qualidade de vida que as pessoas terão quando avós depende não só dos riscos e oportunidades que experimentarem durante a vida, mas também da maneira como as gerações posteriores irão oferecer ajuda e apoio mútuos, quando necessário.

Utopia?

Embora nosso site lute pelo envelhecimento ativo democrático da população brasileira, sabemos que isso faz parte da Utopia Brasil.

Temos publicado fotos e desenhos talvez românticos porque há uma preocupação em apresentar o envelhecimento ativo como algo lúdico para os que podem optar por praticá-lo. E ao mesmo tempo despertar sua responsabilidade social e seu papel como cidadão. Muitas vezes, por exemplo, dedicando horas num trabalho voluntário que ajude quem não pode escolher o caminho do envelhecimento ativo e vive numa instituição de longa permanência.

Sabemos que a realidade está muito longe de qualquer utopia, haja visto o Estatuto do Idoso. Ele representa um avanço  mas está para a nossa realidade como o artigo da  Constituição brasileira “todos são iguais perante a lei.”

 Politicamente Correto

Praticar o envelhecimento ativo é  politicamente correto porque empodera o Envelhecer. Mesmo que atualmente ele seja para uma minoria, quem o exerce deve ajudar quem não pode. Os negros brasileiros, por exemplo, vivem menos 7 anos do que os brancos.

Continuar a repassar a responsabilidade pela democracia apenas para o cumprimento da Constituição de 1988 e do Estatuto do Idoso, é continuar a se posicionar como um cidadão indiferente. Quem vai mudar a sociedade brasileira são os pequenos grupos e redes de solidariedade. Cidadania agora é contribuir para os 28 milhões que estão excluídos aprendam e usufruam das possibilidades do Envelhecimento Ativo.

Em vez de despesas, nós,os longevos, produziremos para que o Brasil cuide dos mais necessitados. E  diante da nossa responsabilidade de  cidadã, cidadão, os idosos ativos  podem ser  cuidadores  voluntários dos  idosos com menos qualidade  de vida. Ou visitadores, ou ajudadores, ou patrocinadores…

Gente, tá na hora dos privilegiados mudarem o País. A maior nação católica do mundo e os 40 milhões de evangélicos  têm de botar em prática o famoso ensino: “amai ao próximo como a ti mesmo.” No Dia do Idoso, vamos comemorar para que Longevidade seja uma prática Cidadã.

Thereza Christina Jorge

OBS: os números aqui citados são estimativas dos dados do IBGE.

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