A Nova República (da Autonomia)

 

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Este conteúdo é de uma república sênior (como a terceira idade é chamada, elegantemente) em Portugal. Mas, bem que poderia ser no Brasil. Eu seria uma das moradoras. A Nova República é tudo de bom para os sêniores brasileiros. Utentes significa aposentados.

Sempre à procura de respostas diferenciadoras de apoio aos idosos, o Centro Social Paroquial de S. Jorge de Arroios, em Lisboa, acaba de inaugurar a sexta “República Sénior”, desta vez para mulheres.

Situado numa das zonas mais envelhecidas da cidade de Lisboa, o Centro Social e Paroquial de Arroios tem sido pioneiro nos últimos anos em vários projectos de apoio aos idosos, evitando a sua institucionalização em lares. Assegura apoio domiciliário 24 horas por dia a vários utentes, e acompanha o dia-a-dia de outros através de uma linha telefónica solidária.

Pedro Raúl Cardoso, o director do Centro, conta que a ideia das Repúblicas Seniores surgiu para acabar com a solidão de quem vivia sozinho, em quartos, muitas vezes sem condições: “Era um problema com que nós no Centro nos debatíamos diariamente, utentes que sabíamos viverem em quartos subarrendados. Levavam o jantar e começámos a reparar que as pessoas comiam a comida fria, porque no quarto não a podiam aquecer. Também soubemos que tinham banhos controlados, acessos à cozinha controlados, e alguns foram vítimas de extorsão de outros parceiros de quarto”.

Num primeiro momento, em colaboração com os escuteiros da paróquia, o Centro avançou com uma campanha para comprar micro-ondas. Mas, em muitos casos os idosos tinham de pagar mais pelo quarto para poderem ligá-los. Foi aí que que começaram a pensar noutra solução: “Quisemos criar uma resposta onde as pessoas pudessem de facto viver a sua velhice de uma forma livre, autónoma e não estar ‘à mercê de’. Acabámos por encontrar este conceito das Repúblicas”.

O projecto é inspirado nas Repúblicas de estudantes, “até fomos a Coimbra ver como era”, diz Pedro Raúl Cardoso.

“O segredo era criarmos aqui uma comunidade como se de uma família se tratasse. E foi assim que há cerca de um ano abriu a primeira, a República de S. Jorge. Três idosos passaram a ser viver juntos num mesmo apartamento, partilhando despesas e com regras para viver em comum: “É uma comunidade de pessoas que vivem dentro do mesmo espaço. Embora cada um tenha a sua individualidade dentro da casa, que é o seu quarto, têm espaços comuns e gerem esses espaços”. As regras são definidas pelos próprios residentes.

Ao todo num ano abriram seis Repúblicas, uma delas para pessoas que se encontravam em situação de sem-abrigo. Curiosamente foram esses os que se adaptaram mais depressa à nova realidade: “Trazem uma coisa da rua que as pessoas mais velhas não têm, que é a questão da solidariedade e da partilha. E logo aí gera-se, de facto, uma relação de afectos mais cordial e mais rápida. As pessoas idosas como viveram muito tempo em quartos, com as portas trancadas, desmistificar isto numa República levou o seu tempo”, explica Pedro Raúl Cardoso.

Cada República tem no máximo três idosos, as idades variam: “O mais velho tem 85 anos, o mais novo tem 67”. São os próprios que decidem como se organizam e dividem despesas, “água, luz e gás, são os próprios eles que pagam”. A renda é suportada pela Misericórdia de Lisboa, que é parceira no projecto. O Centro Paroquial apoia em tudo o resto, comida incluída: “Todos eles estão ou no Centro de Dia, ou com apoio domiciliário. Nós responsabilizamo-nos pela monitorização do projecto. Todas as semanas as nossas equipas de limpeza acabam por fazer as limpezas maiores. Deitar o lixo fora são os próprios que fazem”.

A República de Santa Marta, a primeira feminina, foi inaugurada há dias. Acolhe três mulheres para quem este vai ser um Natal diferente.

Pedro Raúl Cardoso diz que este é um projecto para manter e alargar, mas já pensa noutro: “estamos neste momento a arrancar com a construção de um Centro de Noite, para que as pessoas possam dormir algumas noites por semana no Centro Social, e com isto vamos poder também prestar apoio domiciliário 24 horas, com equipas de rectaguarda do Centro Social”. O Centro de Dia também já alargou há pouco tempo o horário: “agora funciona de segunda a sexta-feira entre 8h00 da manhã e a meia-noite, para permitir que os familiares dos utentes possam ter vida social, e as pessoas idosas não fiquem desacompanhadas”.

O isolamento, as dificuldades económicas e a falta de apoio familiar são problemas comuns a muito idosos. Ao todo o Centro Social e Paroquial de S. Jorge de Arroios ajuda 170 através dos vários projectos que já criou, mas apoia também 87 famílias carenciadas através da Cantina Social e do Banco Alimentar.

A entrevista a Pedro Raúl Cardoso foi transmitida na Renascença, no espaço informativo das 12h00, que à segunda-feira dedica mais tempo aos temas sociais e relacionados com a Igreja.

Do site português Sapo

 

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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