A Nova Velhice Brasileira

março 24, 2018 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

Professores de universidade brasileira criam vila para envelhecerem juntos

Professores da Unicamp, uma universidade brasileira, tinham a ideia de envelhecer junto dos amigos. Por isso, criaram um projeto de moradia chamado Vila ConViver, uma espécie de comunidade para que possam aproveitar a velhice.

A ideia surgiu em 2014, de um grupo de trabalho sobre as chamadas cohousings – moradias criadas e administradas pelos próprios idosos, que decidem entre amigos como e onde querem viver a reforma.

A associação formada por professores sindicalizados aposentados (Adunicamp) já conta com quase 200 pessoas.

Sérgio Mühlen, de 61 anos, lembra-se de quando uma colega teve que se mudar para uma casa de repouso depois de ficar doente. Foi aí que Sérgio percebeu a necessidade de planejar a vida como reformado: “Era a última coisa que ela queria“.

Há cerca de um ano e meio, o professor diz ter encontrado a solução que procurava no modelo de cohousing. Juntou-se ao grupo de trabalho do Vila ConViver, que estuda implementar cohousings numa área de 20 mil metros quadrados no subúrbio de Campinas.

O local vai abrigar, principalmente, professores reformados da Unicamp. “Será uma comunidade sénior solidária, de apoio mútuo”, explicou Mühlen.

Cerca de 70 pessoas participam no projeto e o custo será de cerca de 400 mil reais por unidade – cerca de 98 mil euros -, com pagamento mensal de 3,5 mil reais, ou 862 euros. Todas as decisões serão tomadas em conjunto.

O ponto-chave é o convívio social. Por isso, há reuniões em que os participantes se dividem em grupos. “Ao contrário de um condomínio, onde se escolhe a casa, o preço e as facilidades, e depois se conhece o vizinho, aqui acontece o oposto. Escolhemos os vizinhos, alinhados com os nossos valores”, disse Mühlen.

“Os modelos de condomínios podem atingir uma parcela maior dessa população mais velha, pois é mais tradicional, em que a administração está sob responsabilidade de empresas”, disse Edgar Werblowsky, criador da Aging Free Fair, referência no debate sobre o tema.

Hoje, a Associação dos Docentes da Unicamp tem sido procurada por instituições e estudiosos ligados à questão de moradia e de moradia para idosos.

“Os nossos estudos e a metodologia de preparação e formação do grupo que deu origem à Vila ConViver estão disponíveis para novos grupos da própria Unicamp, ou de fora, que queiram criar novas comunidades cohousings, tanto para a terceira idade como para multigerações, incluídas as com públicos específicos ou com necessidades especiais”, relata o professor Bento.

A Vila

A Vila ConViver prevista para ser inaugurada em 2020, foi projetada para docentes da Unicamp acima dos 50 anos, reformados ou em vias de se reformar. O modelo escolhido, de cohousing, surgiu na Dinamarca na década de 1960 e disseminou-se nos Estados Unidos e Canadá.

A disposição das moradias é feita para facilitar a proximidade dos moradores, com áreas de lazer comunitárias, mas garantia de privacidade. As pessoas socializam quando quiserem, mas há um sentimento de coletividade pelo mesmo tipo de atividade profissional do grupo.

A dos professores da Unicamp está virada para moradores da terceira idade. “Muitas destas comunidades têm sido acompanhadas e estudadas por especialistas em geriatria, antropologia, sociologia, psicologia e arquitetura”, diz o professor Bento da Costa Carvalho Jr., da diretoria da Adunicamp.

“Vários estudos mostram que esse modelo de moradia contribui, de forma decisiva, para uma vida mais longa, com uma melhor saúde física e mental e, portanto, uma melhor qualidade de vida dos idosos, reduzindo ou eliminando doenças comuns na velhice, como a depressão, a demência senil e o Alzheimer”, acrescenta o professor.

De acordo com o SNB, pesquisas recentes apontam que os idosos modernos, de diferentes países, têm pelo menos quatro pontos comuns no que se refere à questão da moradia: querem continuar a morar nas suas casas até ao fim da vida, não querem mudar-se para a casa dos filhos, não querem ser colocados em instituições para idosos e querem manter a autonomia e independência.