Antes da 4ª Idade …

 

A primeira geração dos novos-velhos define, nos países desenvolvidos, um novo conceito de idoso. Nada de ficar mofando diante da televisão, de passar o tempo jogando baralho com os coetâneos, de preparar a mamadeira dos netos.

Os novos-velhos viajam pelo mundo todo, lotam as universidades da terceira idade, leem, estudam, se divertem, gostam de amor e sexo. E já constituem um importante segmento do mercado consumidor a chamar a atenção do marketing comercial em todas as áreas.
Vai sobrar tempo na vida para tudo. Para ter outro filho aos quarenta, ou cinquenta. Pode ser que seja até o primeiro filho. Nos intervalos, vai dar para ter uma carreira, abandonar esta carreira e começar outra. Tirar anos sabáticos e fazer aquele doutorado enquanto cuidamos dos netos.
Hoje, 25 países do mundo já têm expectativa de vida que chega a 80 anos – 83 é o máximo, caso do Japão. A média de vida “extra” daqueles que já chegaram aos 60 também conta como um indicador relevante – hoje ela é de cerca de 23 anos em alguns países. É bastante tempo de fila prioritária.
O médico Alexandre Kalache, Presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil), debateu o assunto em recente palestra no Museu do Amanhã. O tema era o que ele chama de a “Revolução da Longevidade”. Kalache usa uma metáfora olímpica para explicar a tendência. Vamos imaginar que vivíamos em uma corrida de 100 metros. Era preciso muito fôlego para dar conta de tudo naquele relativamente curto espaço de tempo da prova. Esta corrida hoje virou uma maratona, para a qual é preciso ter boas estratégias se quisermos atravessar o longo percurso sem ofegar demais.
E onde entra a revolução aí? Para as mulheres, prevê Kalache, a reviravolta será grande. Historicamente responsáveis pela fatia do trabalho relacionado aos cuidados – fossem eles dos filhos, netos, pais, sogros e maridos – as mulheres da Longevidade agora têm mais tempo hábil para dividir o tempo com suas profissões, até mais de uma, com seu desenvolvimento pessoal e, com os homens, partilhar a equação do cuidado familiar. Tudo isto em etapas variadas, não precisando obedecer a nenhuma linearidade.
Afinal, muitas escolherão ter filhos mais velhas ou até mesmo decidirão por não os ter – fato responsável pelo declínio da taxa de fecundidade e, consequentemente, pelo maior envelhecimento da população.
Conteúdo parcial Época Online

 

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