Na live da Iniciativa FIS sobre O Dilema do Retorno dos Idosos `vida social externa, após o confinamento, no início de julho, o diretor geral da Universidade da Terceira Idade da Uerj, geriatra e professor Renato Peixoto Veras afirmou que tem esperança de um salto da medicina brasileira após a vacina contra o Covid-19. “Veremos uma medicina mais humanizada, o fortalecimento do SUS e a difusão da telemedicina trazendo o Médico de Família para cada casa.”

Os debates sobre o papel do idoso no mundo pós-pandemia estão presentes em vários países. Em Portugal, por exemplo, especialistas do Social Inclusion Laboratory (SINCLab), da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, alertaram  para a necessidade de se retomarem, à medida que são levantadas as medidas de confinamento, os projetos que promovem o envelhecimento ativo.

sociedade tem a responsabilidade de, tendo excluído o idoso sob a égide do resguardo e da proteção, preparar a saída do confinamento e repensar o enquadramento a dar a esta população”, lê-se no comunicado enviado pelo SINCLab.

“Em alguns locais do país, temos cerca de 35 a 40% da população com mais de 65 anos e para as quais têm de existir respostas sociais que não sejam apenas assistenciais, uma vez que se trata de uma população que cada vez tem mais condições de saúde e que precisa de envelhecimento ativo, ou seja, de respostas que vão para lá daquilo que nesta altura tanto se fala”, defendeu Rui Serôdio.

Para os coordenadores do laboratório da Universidade do Porto, que trabalha com os 17 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP) em prol do envelhecimento ativo, “a identidade do sénior não pode ser posta em causa por decreto”.

“Todos os dias, a população idosa recebe uma mensagem terrível de quase morte anunciada e é preciso pensar nisso e trabalhar essa imagem”, defenderam.

Para Alexandra Serra, as respostas sociais “de caráter imediato” que surgiram no âmbito da pandemia da covid-19 podem vir a ser “aprendizagens para o futuro”, mas considera que é necessária a intervenção política e do poder local nesta matéria.

“Estas questões do envelhecimento ativo passam por uma forte intervenção e envolvimento das comunidades na vida das pessoas, por isso, era muito bom que destas respostas que surgiram para proteger esta população, gerassem alguns frutos e a possibilidade de continuidade no futuro, mas estas respostas têm de ter um enquadramento em termos políticos e do poder local”, salientou a responsável.

Acrescentando que é necessária uma mudança de “enfoque”, passando da resposta sanitária e assistencial para “algo mais ambicioso que vê o idoso como uma pessoa com direitos, obrigações e oportunidades para ter uma participação plena e ativa na sociedade”.

Também Rui Serôdio considerou que é fundamental, neste momento, “pensar-se no depois”, ou seja, tornar a mudar o “ênfase para as questões de cidadania e direitos desta população”.

Face às eventuais medidas de proteção e segurança que podem vir a ser aplicadas a esta população, os especialistas acreditam que as respostas promotoras do envelhecimento ativopodem vir a ser executadas “de forma mais particular”.

“Podemos vir a ter respostas não tanto em grandes grupos, como até agora víamos, mas de forma mais particular, mas que continuem a estimular estas pessoas. Isso seria muito interessante pois obriga, uma vez mais, a reformular os nossos paradigmas junto desta população”, concluíram.