Calorias Nunca Mais

abril 1, 2016 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

Há anos os nutricionistas tentam desafiar o apego das pessoas à contagem de calorias. Um dos caminhos em voga é o índice glicêmico, que não é exatamente recente –ele é enfatizado em dietas para diabéticos desde os anos 1980.

Embora não ofereça um dado tão preciso e quentinho quanto as calorias, nutricionistas dizem que apresentar esse conceito aos pacientes tende a ser mais eficiente do que simplesmente dizer “tenha uma alimentação variada, incluindo todos os grupos alimentares em cada refeição”, ainda que a conclusão seja exatamente essa.

Índice glicêmico (IG) é um fator que mede a quantidade de moléculas de glicose presentes em um alimento.
Ele está atrelado à glicemia, que é o nível de açúcar circulante no sangue. Quando mais rápido um carboidrato ingerido é digerido e entra na corrente sanguínea, maior será seu índice glicêmico.

A base de contagem é o pão branco, considerado um alimento de índice 100, o máximo. Alimentos de baixo índice têm até 55, os moderados, até 69.

“Picos de açúcar estão associados a uma maior ocorrência de diabetes tipo 2 e geram um efeito rebote. O pâncreas produz insulina para neutralizar um alimento cheio de açúcar. O alimento é rapidamente digerido, gerando
fome e incentivando a pessoa a buscar um novo pico de açúcar”, explica a nutricionistas Karyna Pugliese. 

Para isso, não é preciso cortar os alimentos de alto índice. “Basta evitar o consumo de carboidratos isolados, acrescentando um acompanhamento rico em gorduras e proteínas ou aumentando a quantidade de fibras da
refeição”, explica Pugliese. O importante é que a refeição como um todo tenha um índice glicêmico moderado, não que cada um dos alimentos seja de baixo índice.

A lógica é simples: dê ao corpo algo mais difícil de digerir para retardar o processo entre colocar a comida na boca e receber um jato de glicose no sangue.

“Como qualquer dado nutricional, a intenção não é usá-lo isoladamente. Um alimento é muito mais do que seu índice glicêmico, assim como é muito mais do que suas calorias ou vitaminas”, afirma Pugliese. 


Guia Alimentar

Criado e periodicamente atualizado pelo Ministério da Saúde, o Guia Alimentar da População Brasileira é um documento que apresenta um conjunto de informações, análises, recomendações e orientações sobre escolha, preparo e consumo de alimentos, com o objetivo de promover a saúde das pessoas. E um dos pratos-referência indicados como um jantar típico do brasileiro é uma receita bem simples e tradicional: macarrão ao sugo, frango assado e salada.
De acordo com Aretha Magalhães, nutricionista da Equilibrium, consultoria da marca Fortaleza, o cardápio é sim um ótimo exemplo de refeição equilibrada e com todos os ingredientes necessários. “Uma preparação à base de macarrão é uma opção saudável e prática, não requer muito tempo para cozinhar, além de harmonizar muito bem com vegetais (brócolis, cenoura, vagem), leguminosas (ervilha, lentilha, grão de bico), ovos e carnes (bovina, aves, peixe e porco). Sua versatilidade permite uma gama enorme de combinações, sendo a variedade um ponto crucial dentro de uma alimentação saudável”, explica Aretha Magalhães.  
Ao longo da história, o macarrão se transformou em um item essencial na despensa das famílias brasileiras. Há relatos de que foi levado da China para Itália por Marco Polo. No Brasil, as massas foram trazidas pelos imigrantes italianos e tornou-se um clássico da culinária local. “A macarronada de domingo é uma tradição de famílias de todas as ascendências e o macarrão substitui com perfeição outros carboidratos, como arroz, nas refeições”, compara Aretha.
Compacto Uol e Divulgação