Candidatura do Brasil à sede de Assembleia sobre Envelhecimento da ONU é questionada

Candidatura do Brasil à sede de Assembleia sobre Envelhecimento da ONU é questionada

abril 10, 2021 2 Por Thereza Christina Pereira Jorge

A candidatura de Porto Alegre como sede da terceira Assembleia Mundial sobre Envelhecimento, prevista para ser realizada em 2022, causou controvérsia ontem (9) na Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara.

O governo federal, o ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) com o governo do Rio Grande do Sul e a prefeitura de Porto Alegre querem trazer o evento para o país. Já integrantes da sociedade civil organizada apontam que a situação dos idosos brasileiros durante a pandemia do coronavírus seria um dos entraves para a escolha do país pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (MMFDH), Antonio Costa, apoia a iniciativa.

“Seria um ganho político internacional extremamente importante e também num país que está caminhando ainda nessa política nacional de implementação da política do idoso. Eu receberia isso como um estímulo para que o País pudesse ficar bem representado e ter também um compromisso de Estado com essa política tão importante”, argumentou.

O geriatra Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade (CIL), presente nas assembleias anteriores ( Viena, 82 e Madri, 2002) teme que não haja tempo hábil para preparar o evento. Segundo ele, há impedimentos para o aceite da candidatura, como a imagem negativa que o atual governo tem na área de direitos humanos e o fato de que o Brasil ainda não se vinculou à Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos.

A seu ver, outro desafio é o custo de uma assembleia desse porte. Ele informou que o evento de Madri, em 2002, teve gastos de US$ 4 milhões. Os defensores da candidatura de Porto Alegre, no entanto, ressaltaram que já há o compromisso de apoio do setor turístico  de entidades empresariais, e universidades.

Ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI), a geriatra Karla Giacomin lamentou que o Brasil não esteja sendo uma vitrine para o mundo em relação a direitos dos idosos e colocou como um dos problemas na área de envelhecimento a falta de participação da sociedade civil na elaboração de políticas públicas.

Integrantes da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa sugeriram a formação de um grupo de trabalho para discutir a realização da assembleia no país. O vice-presidente da comissão, deputado Ossésio Silva (Republicanos-PE), que propôs o debate, torce para que o evento seja no Brasil.

 

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