Envelhecer na contramão

Seminário na Câmara dos Deputados discutiu garantias para a população envelhecer com qualidade de vida. Participantes disseram que o Brasil ainda não está preparado para lidar com o tema e cobraram mais envolvimento do Poder Público

Participantes de um seminário na Câmara dos Deputados que discutiu os direitos da pessoa idosa afirmaram, nesta terça-feira (8), que um primeiro passo para garantir o envelhecimento saudável da população seria colocar em prática a legislação existente sobre o assunto, como o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03). Segundo os debatedores, apesar de contar com boas leis, o Brasil ainda não está preparado para lidar com o avanço da expectativa de vida, que ocorreu antes que o País enriquecesse.

Existem hoje 24 milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil. O número equivale a aproximadamente 12% da população e crescerá a quase 30% em 2050. São pessoas que demandam serviços de saúde, previdência, turismo, transporte, segurança, educação, cultura e até mesmo empregos. Conforme os especialistas, no entanto, essas pessoas sequer são ouvidas e estão longe de exercer um protagonismo que deveria caber a elas.

Requisitos

O médico e presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil (ILC-Brasil), Alexandre Kalache, destacou que o bom envelhecimento requer saúde, convívio com outras pessoas, aquisição de novos conhecimentos e recursos financeiros para se manter. Ocorre que muitas vezes faltam essas condicionantes – porque faltam acesso à saúde ou à educação, por exemplo – e o cidadão fica sem qualidade de vida.

“Estamos envelhecendo na contramão, com problemas de ensino, de nutrição, de construção de estrada, de emprego digno. É preciso que a sociedade dê as mãos, e o Poder Público tenha esse papel fundamental de ser o catalisador”, comentou o médico.

 

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