Envelhecer, o último Tabu

Envelhecer, o último Tabu

dezembro 7, 2019 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

Hoje por puro passatempo fiz uma pequena estatística dos conteúdos publicados num portal de um grande e até então conceituado jornal. Constatei algo de que desconfiava. Temas outrora adjetivados como escabrosos estão presentes com muita frequência e tratados com naturalidade.

Noutro dia, conversando com Leila Victor, uma amiga que é responsável por um portal bacana sobre envelhecimento, o “Curso da Vida”  comentei com ela, a propósito de indicar pessoas que curtem  o envelhecimento:

“Leila, vai ser difícil encontrar alguém porque, pode parecer exagero o que vou falar,  mas pornografia, pedofilia e outros “ias” são assunto de todo mundo. Nenhum tabu aparece. Ninguém muda de assunto.” Ela concordou.

Falar em envelhecer hoje é muito mais ofensivo do que xingar a nossa santa mãe. Isto, sim, era o pior agravo que se podia fazer a alguém. No século XXI, não se envelhece, qualquer melancolia é depressão profunda, paradoxos são sintomas de sérios conflitos. Parece que as pessoas com a quais convivo não superaram o complexo de Peter Pan…

Morte  e Envelhecimento. Os dois substantivos  estão banidos  do vocabulário das pessoas alegres, animadas, “pra cima”, alto astral.  De qualquer idade, de qualquer condição social, à exceção dos religiosos e místicos.

Morte e envelhecimento são experiências lindas e dignas se de fato se recebe a  vida como dádiva e com apreço.

Prefiro olhar meu envelhecimento como algo diferente de adoecimento. Faz parte. É claro que não deixo de ficar assombrada com a minha pele “sobrando” no meu corpo que está encolhendo. Faz parte. Concordo com o poeta que disse: “Deus fez tudo formoso a seu tempo.” Serenidade diante de uma boa e tratada aparência, uma alma transparente e alegre, perfumada, elegante. Enfim,  tudo que for antônimo de desleixo é aporte  e  patrimônio para um Envelhecimento Ativo.

 

Thereza Christina Jorge