Envelhecimento Ativo é … reconhecer a nova moradora

Envelhecimento Ativo é …

… reconhecer que a hóspede é a dona da casa

Dizem os terapeutas que diante de uma enfermidade grave a primeira reação é a negação. A gente não aceita o diagnóstico do médico.  “Isso não está acontecendo comigo.” Quando o envelhecimento se instala (mesmo o ativo) ele não traz mudanças significativas. Eu agora tenho plena consciência do meu envelhecimento. Uma palavra resume o que sinto. impermanência ou finitude. Ou aquela frase famosa do cientista social Karl Marx. “Tudo o que é sólido desmancha no ar”. Saúde, segurança, vida financeira, vida afetiva, sexual etc. Acho que sou muito exagerada. “Eu sou mesmo exagerada” para citar o Cazuza.

A minha vida não está se desmanchando a cada dia. Sou uma pessoa diferente a cada dia. Adaptações são frequentes. Não usar determinado sapato dentro de casa para não escorregar e …

Agora tenho um banco de plástico dentro do chuveiro. Não o uso diariamente mas às vezes é de grande ajuda.

Diante da diversidade de pessoas, desejos e necessidades que abrigo com o rótulo Thereza Christina Pereira Jorge, tive que tomar uma providência: nomear um síndico para o meu “condomínio”. Manda quem pode e obedece quem tem juízo…

Algo ficou maior com o tempo; meu amor pela vida. A-do-ro viver.

Quando vou caminhar minhas antenas ficam alertas. Penso: posso reencontrar amigos como o jornalista Marcelo Beraba ou perceber a iminência do assalto. O  perigo da bala perdida, o susto ao ler as manchetes dos jornais. E também o olhar de admiração de um garotinho de 3 anos no máximo. Talvez meus óculos escuros, ou o cabelo cacheado e colorido só de um lado com luzes. A roupa colorida, pode ter  sido.

Quando passo por um pé de jasmim paro um momento para sentir aquele perfume que sentia na minha infância, na casa da Vó Flor, na Rua Montenegro, hoje Garota de Ipanema, em Ipanema.

Ponto para o meu envelhecimento ativo: raramente sou chegada à “formiguices” . Consumia com gosto dois pacotes pequenos de jujuba em segundos. Tenho necessidade de alimentos saudáveis. Inventei um detox “strong” com proteína de soja.

Aprendi com o Dr.Dráuzio Varella, no seu site, que certas nevralgias ou câimbras são tratáveis com certas doses injetáveis de B12.

Enfim, gente querida, uma nova cultura está se formando em mim e (graças a Deus) na nossa sociedade. 
Ultrapassamos o horror ao processo de envelhecimento. Estou estudando parar de pintar o cabelo, ou melhor,pintar e retocar a tinta na antiga coloração do brilhante jornalista australiano Julian Assenge. 

Embora ele negue que coloria de platino blonde, assisti a documentários sobre a vida dele quando era um fugitivo, o cabelo ficava malhado de castanho e branco. Com certeza não dava tempo para ele retocar.

Enfim, Moradora seja bem-vinda. Como diz o rei Salomão, “não se prenda ao passado porque é falta de inteligência.”

Outros tempos. Outros “envelheceres”. E outras esperanças.

Thereza Christina Jorge

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