A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou na última quinta-feira, 16, as dez prioridades para a área da saúde em 2019. A agência, ligada à Organização das Nações Unidas, pretende ampliar em 1 bilhão o número de pessoas com acesso a saúde no mundo. Entre as metas, há as que impactam diretamente na vida da população idosa, como o controle de doenças crônicas não transmissíveis, do impacto de pandemias de influenza e de cuidados na atenção primária, entre outros.

Segundo a OMS, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo – o equivalente a 41 milhões de óbitos. Em 2018, dados do Ministério da Saúde apontam que 39,5% dos idosos possuem alguma doença crônica e quase 30% possuem duas ou mais. Os números são do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi), uma rede internacional de pesquisa sobre o envelhecimento.

Já o levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), ligada ao MS, revela que o diagnóstico de diabetes aumentou 54% na população masculina entre 2006 e 2017, atingindo 7,1% dos homens adultos. Contudo as mulheres ainda são as principais vítimas da doença, com 8,1% no último ano. A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que 13 milhões de brasileiros convivam com a doença.

Para a OMS, o mundo provavelmente enfrentará uma nova pandemia de influenza e por isso monitora a circulação do vírus em 114 países para identificar possíveis cepas capazes de desenvolver um potencial pandêmico. Crianças, gestantes, idosos e outros grupos são os mais vulneráveis ao vírus da influenza.

O vírus da gripe pode sofrer mutações e a intensidade das infecções variar entre um ano e outro e o Ministério da Saúde avalia a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza. Os tipos A e B, os mais comuns no Brasil, incluem a H1N1 e H3N2 ligadas ao tipo A da doença. Segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde, pessoas acima dos 60 anos representaram 55% dos óbitos pelo vírus da gripe até o dia 22 de dezembro.

Outro ponto de destaque nas recomendações da OMS é para a atenção primária de saúde, que, segundo a organização, “é geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o seu sistema de saúde e, deve fornecer, ao longo da vida, cuidados integrados, acessíveis e baseados na comunidade”. A SBGG entende que no Brasil a rede básica é fundamental para um tratamento adequado ao idoso, especialmente aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade ou que necessitam de cuidados específicos.

O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), rede internacional para pesquisas sobre envelhecimento, apontou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

Brasil, um país envelhecido

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000 a população idosa com mais de 60 anos era de 14,5 milhões de pessoas, um aumento de 35,5% ante os 10,7 milhões em 1991. Hoje, este número ultrapassa os 29 milhões e a expectativa é que, até 2060, este número suba para 73 milhões com 60 anos ou mais, o que representa um aumento de 160%.

A OMS considerado um país envelhecido quando 14% da sua população possui mais de 65 anos. Na França, por exemplo, este processo levou 115 anos. Na Suécia, 85. No Brasil, levará pouco mais de duas décadas, sendo considerado um país velho em 2032, quando 32,5 milhões dos mais de 226 milhões de brasileiros terão 65 anos ou mais.

Site da OMS

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.