O Editorial da RBGG é para ser lido.

O Editorial da RBGG  é para ser lido.

“A Prática Regular de Atividades Físicas e o Envolvimento Social da Pessoa Idosa.

O envelhecimento das populações é a face mais visível da melhoria das condições gerais de vida. Esse fenômeno deve ser comemorado e, logicamente, acompanhado de intervenções que assegurem a integração dos idosos na sociedade. Neste contexto, advogam-se iniciativas que busquem preservar a qualidade, o significado e o direito à vida nas idades avançadas, a fim de garantir que o aumento da esperança de vida enseje, concomitantemente, esforços para o preenchimento desses anos com senso de autor realização e propósito. Assim, encarando-se o envelhecimento populacional como uma oportunidade a ser aproveitada e não apenas como um problema a ser sanado, há certo consenso no sentido de que devam ser estimuladas políticas e iniciativas voltadas para o desenvolvimento material e espiritual desse grupo.

Com base nestas premissas, a Organização das Nações Unidas endossou, no início dos anos 1980, um Plano Internacional de Ação Relativo ao Envelhecimento, amplo conjunto de princípios e estratégias que realçam a necessidade de promover o envelhecimento bem-sucedido. As recomendações contidas nesse plano foram posteriormente confirmadas com a publicação dos Princípios das Nações Unidas para as Pessoas Idosas. Os 18 princípios propostos agrupam-se em torno de cinco linhas mestras acerca do estatuto dos idosos nas sociedades: a) independência; b) participação; c) cuidados; d) auto realização; e) dignidade. Busca-se realçar a velhice como fruto de um processo continuado, ou seja, continuação e não o fim da vida, bem como sua dimensão social.

O Plano Internacional das Nações Unidas deixa claro que um dos principais caminhos para atingir esses objetivos está na manutenção da capacidade de participação dos idosos, aumentando o potencial para satisfazerem suas ambições pessoais. Conceitos como ‘esperança de vida ativa’ ou ‘envelhecimento bem-sucedido’ vieram colocar em evidência a necessidade de se atribuir aos idosos um papel importante no seio de suas comunidades. A integração do idoso estaria, por sua vez, estreitamente associada à sua capacidade de realizar objetivos e aspirações pessoais. Considerada a multidisciplinaridade dessas questões, não é de estranhar que tenham atraído a atenção de várias áreas de conhecimento.

Uma das frentes de atuação propostas que vem experimentando rápida evolução remete ao estudo das modificações das capacidades de desempenho físico e cognitivo com a idade, tidas como componentes importantes da manutenção da autonomia. Além disso, acumulam-se investigações sobre como tais capacidades poderiam ser preservadas através da adoção de modos de vida ativos, em geral, e da prática do exercício físico, em particular. De fato, as evidências de que vida fisicamente ativa pode contribuir para a melhoria das funções físicas, mentais e sociais da pessoa que envelhece acumulam-se, podendo-se mesmo afirmar que são fartas.

Assume-se que o grande desafio, no que diz respeito ao futuro dos programas voltados à promoção da saúde da população idosa, não seria continuar a fazer crescer a esperança de vida, mas melhorar sua qualidade. Isso pressupõe preservar a capacidade de realização das atividades cotidianas ao longo dos anos; portanto, do envolvimento social da pessoa idosa, para o que a prática de atividades físicas pode, definitivamente, contribuir.

No entanto e apesar dessa ampla aceitação, há que se reconhecer que o acesso a oportunidades que envolvam o idoso com atividades físicas ainda é limitado. Ora, o simples consenso sobre os efeitos benéficos da atividade física não é suficiente para aumentar a participação dos idosos – a prevalência do sedentarismo entre indivíduos com mais de 60 anos de idade é evidente e preocupante. É preciso, então, investimento para identificar, analisar e intervir nas barreiras que se colocam na adesão dos idosos à prática de atividades físicas. Um melhor entendimento sobre essas questões permitirá a elaboração de políticas públicas eficazes visando educação continuada, suporte social, estratégias de informação e marketing e, evidentemente, incremento das oportunidades de acesso e envolvimento social dos idosos por meio das atividades físicas.

No Brasil, ainda são poucas as informações disponíveis sobre o envolvimento dos idosos em atividades físicas regulares, sejam elas orientadas ou espontâneas. Um exame superficial dos estudos disponíveis revela, ainda, que essas informações se encontram demasiadamente localizadas em pequenas regiões do país e que são conflituosas em relação à possível prevalência de atividades físicas pelas pessoas idosas. No entanto, esses poucos estudos colocam os níveis de sedentarismo do idoso brasileiro em torno de alarmantes 80-90%!

Adicionalmente, constata-se que a literatura carece de informações sobre o que se tem, efetivamente, feito em âmbito nacional para oferecer oportunidades de engajamento em atividades físicas espontâneas ou supervisionadas aos idosos. Os dados acerca das modalidades de atividades e características dos programas de atividades físicas nas diferentes regiões do país são, francamente, insuficientes para um planejamento consciente do que se possa chamar de política para a promoção de atividades físicas por parte dessa população.  Estudos voltados ao tema são, portanto, bem-vindos e necessários.

Em suma, há muito que se fazer no que tange a políticas públicas que permitam, em prazo médio e longo, aumentar o envolvimento dos idosos brasileiros com a prática regular de atividades físicas. Pesquisadores afeitos à temática podem, certamente, contribuir com esse esforço, desenvolvendo investigações que levem a um melhor entendimento do estágio atual dessa prática, bem como na elaboração de estratégias que se mostrem eficazes em termos de adesão e impacto na funcionalidade e qualidade de vida de idosos com características clínicas, sociais, econômicas e culturais diversas.

Mãos à obra!

Paulo Farinatti

OBS: o texto acima é o Editorial da 5ª Edição online da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia da UnATI.Uerj. Visite os nossos endereços eletrônicos e conheça mais sobre os artigos científicos que vêm fazendo a diferença no campo da Geriatria e Gerontologia

Marcos Teodoro

Assessor de Comunicação Social da UnATI.Uerj        

 

 

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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