O que é ser uma Filha, um Filho

março 14, 2016 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge
Em 2010, Elizabeth Wolf, então com 30 anos, morava em Vermont (EUA), trabalhava para uma organização sem fins lucrativos e alegremente explorava novas conquistas, desde criar galinhas até aulas de dança. 

Mas, depois de vários telefonemas perturbadores de e sobre seus pais, Louis e Nancy Brood, Elizabeth voltou para o sobrado em Mount Laurel, em Nova Jersey, onde ela e as irmãs cresceram, com o então novo marido, Casey Wolf. Esperava encontrar cuidadores para ajudar com os pais e logo retornar a Vermont.

Cinco anos mais tarde, ainda está tomando conta do pai de 81 anos e da mãe de 65, os dois com demência. Elizabeth, que é voluntária na Associação de Alzheimer, escreve sobre a experiência no site upsidedowndaughter.com. Na foto, Elizabeth e a sua mãe.

Sua entrevista foi editada e condensada por questões de espaço e clareza:

Meu tio também me ligou. Ele e meu pai haviam sido donos de uma loja de estofados na Filadélfia por 50 anos, e ele estava muito preocupado porque meu pai não conseguia mais fazer contas simples de matemática.

Não me lembro de todas as consultas médicas que levaram meu pai a ver um neurologista, mas me recordo daquela em que passou por um mini-exame de estado mental. Ele saiu do consultório com um diagnóstico de Alzheimer.
Ficamos muito preocupados com minha mãe também. Ela estava perguntando as mesmas coisas várias vezes. Eu disse que iria conversar com o professor com quem ela trabalhava como assessora.
O professor confirmou: “Basicamente, sua mãe não está mais funcionando. Ela só senta no fundo da sala e olha pela janela”.

Isso estava acontecendo há muito tempo, e havíamos ficado tão focados em meu pai que não tínhamos percebido. Acabamos levando minha mãe ao mesmo neurologista, e ela também saiu de lá com um diagnóstico de Alzheimer.

Agora, acordo entre seis, seis e meia da manhã todos os dias e dou remédio para meu pai.

Levo minha mãe para o banheiro. Tenho que levá-la a cada duas horas, senão é o que aconteceu hoje de manhã, não apenas um acidente grave, mas há sujeira por toda parte e tenho que lhe dar um banho.
Faço o café da manhã deles. Ela toma remédios para diabetes, hipotireoidismo, pressão alta, convulsões e dois antipsicóticos, porque tem alucinações. Ela parou de engolir as pílulas de bom grado alguns anos atrás; então temos batalhas diárias. Agora nós as escondemos em pedaços de banana.

Meu pai frequenta um programa para adultos com Alzheimer e demência. Cinco dias por semana, eles o pegam às 8h40 e ele volta entre uma e uma e meia da tarde.

Estou sempre procurando mais atividades para fazer com ele. Encontrei uma professora de voz e, uma vez por semana, ela toca piano e os dois cantam juntos velhas canções que ele guarda em sua memória profunda, como “All The Way” e “Some Enchanted Evening”.


Do The New York Times/UOL