Papinhas para nós

março 23, 2016 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

Frutas amassadas, sem açúcar ou conservantes, que podem ser consumidas em qualquer lugar. Basta tirar a tampinha. Esta é a proposta de novas empresas no mercado brasileiro para ganhar uma fatia do bilionário setor de alimentos saudáveis. A previsão é que, até 2019, esse segmento movimente R$ 110 bilhões, crescendo mais de 50%, segundo a consultoria internacional Euromonitor.

Os dados no mercado brasileiro animam ainda mais: o consumo dobrou nos últimos cinco anos. Segundo o relatório, 28% dos brasileiros conferem o valor nutricional e colocam esta informação como essencial na hora de consumir. Outros 22% preferem comprar alimentos naturais e sem conservantes.

É neste mercado que empresas como a Pic-Me e a FrutaJá pretendem crescer. Utilizando uma tecnologia de embalagem criada pela Nasa, nos anos 1960, as duas oferecem “papinhas” de frutas em embalagens do tipo squeeze para facilitar o consumo de alimentos naturais. O pacote é feito com três camadas de plástico e uma de alumínio e não contém ar, além de um bico que evita vazamentos, o que era essencial para os astronautas em órbita.

Sem adição de açúcar ou conservantes, o segredo é manter a papinha totalmente livre de oxigênio, fazendo com a validade dos produtos seja superior a um ano. “Fruta é complicado de comer. Se você carregar uma carambola na mochila, no final do dia vai amassar e estragar”, Guilherme Rodrigues, 49 anos, doutor em nutrição e sócio da Pic-Me.

Papinha Salgada

“O preparo das papinhas no final de semana é sempre uma correria. Tento fazer algumas versões diferentes, para almoço e jantar, variando o uso e combinações dos legumes e das hortaliças, com carne ou frango e ainda uma versão vegetariana, mais leve. 

Semana passada, coloquei no fogo uma panela com pedaços de mandioca (200 gramas), milho doce (duas espigas), cenoura (três), abobrinha (uma), frango (dois filés generosos), uma fatia de cebola, um pedaço de erva-doce e água (suficiente para cobrir todos os pedaços). E fui cuidar das outras coisas. Conclusão: “pegou” na panela. E virou uma cenoura caramelizada. Terminei o processo mesmo assim, transformando tudo num creme, depois de amassar e passar pelo passa-legumes. Provei e achei gostoso. 
Resolvi então criar a papa de adulto. Temperei com flor de sal, pimenta do reino e uma generosa quantidade de azeite. Virou um creme espesso de mandioca, na textura de um escondidinho, servido em xícaras com pedacinhos de queijo do Serro mineiro.” 
Compacto do Boa Chance (O Globo) Vogue Online