Pegue “leve” com antiácidos; eles viciam

julho 22, 2016 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge
images (1)O uso prolongado e em altas doses de antiácidos para combater a azia grave e a doença do refluxo pode causar a má absorção de nutrientes, vitaminas e minerais, além de fraturas e infecções.
O abuso tem motivado a FDA (agência norte-americana de fármacos e alimentos) a fazer alertas sobre uma classe dessas drogas, os inibidores da bomba de prótons (IBPs), da qual fazem parte o omeprazol e o esomeprazol.
Os IBPs bloqueiam a produção de ácido no estômago, prevenindo complicações como úlceras. No Brasil, a venda desses remédios saltou de 23,13 milhões de unidades em 2010 para 51,41 milhões nos últimos 12 meses (até abril).
Só o omeprazol, no mercado desde 1990, respondeu por mais da metade do comércio (32,8 milhões), segundo dados do instituto IMS Health.
Outra situação vem chamando a atenção: a dependência que esses remédios podem causar. Estudos recentes mostram que quem começa a tomar os IBPs tem dificuldade para suspendê-los.
“Cria-se uma dependência. Tenho pacientes que usam por anos. Muitos dos que têm azia e doença do refluxo estão acima do peso e não conseguem emagrecer. Temem deixar de tomar o remédio e voltar a sentir a queimação”, diz o clínico geral Paulo Olzon, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Segundo o médico, o uso dos IBPs é uma maneira de as pessoas controlarem os sintomas incômodos, sem fazer mudanças difíceis no estilo de vida, como perder peso ou cortar os alimentos que causam a azia e o refluxo.