Por que os idosos não comparecem para a segunda-dose?

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou ontem que mais de 1,5 milhão de pessoas não voltaram para tomar a segunda dose da vacina da covid-19 dentro do prazo estipulado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Segundo dados divulgados pelo ministério, São Paulo tem o maior número de pessoas com a vacina atrasada (343,9 mil), seguido por Bahia (148,8 mil) e Rio (143 mil pessoas).

E por que? 

Em primeiro lugar, a cultura de vacinação foi sendo apagada aos poucos. Eu mesma, só aos 70 anos, resolvi colocar em dia a minha caderneta de vacinas.

O  Programa Nacional de Imunizações apresenta um  problema de logística que compromete o retorno dos idosos. Cadastramento, filas no drive- thru, pedir carona ou pagar para ir de carro tomar a segunda dose. Diante dessas providências, muitos desistiram. Ficou realmente complicado.

Um parênteses: Segundo o IBGE, há cerca de 1 milhão e 350 mil motoristas entre 71 e 80 anos. Cerca de 4,5% da população de idosos, estimada em 30 milhões de brasileiros.

A cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, conta com uma organização impecável. Vamos ao Portal da Prefeitura.

.A imunização do público prioritário contra a Covid-19 em Uberlândia acontece mediante cadastro prévio. O acesso é feito no Portal da Prefeitura, na aba “Enfrentamento ao Coronavírus” e depois basta acessar o botão “Cadastro Vacinação”.

Quem se cadastrou para receber a vacina pode acompanhar o agendamento da imunização também no mesmo endereço eletrônico, onde foi disponibilizada a opção “Consultar Agendamento” no canto superior direito da página de cadastro para a vacina. Depois basta digitar o CPF e a data de nascimento da pessoa cadastrada. Com o novo serviço on-line, o usuário obtém mais detalhes sobre o agendamento e informações sobre a aplicação da vacina, como se é 1ª ou 2ª dose, fabricante da vacina, data, hora e local da aplicação.

Para os idosos, muitos morando só, esses procedimentos são quase inviáveis. Eu, mesma, custei a entender as providências. Ontem,  telefonei para uma amiga me informar Felizmente, vou ter de caminhar apenas 5 minutos não vou precisar chamar um táxi..

Outro parênteses: ontem (14/4) , a Prefeitura de São Paulo  suspendeu o  sistema de drive-thru.

Nos municípios menores, a operação teve altos e baixos. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, nem sempre havia vacina para aplicar. Dia 13, os idosos madrugaram, enfrentaram a chuva e ficaram na vila. Foram informados, na última hora, que não havia vacina. 

É certo que houve casos de atos de heroísmo por parte dos enfermeiros. Muitos atravessaram rios, caminhos de pedras e matas para alcançar o público-alvo. 

Houve campanha para mobilizar a população? Do início da pandemia até hoje, foram quatro os ministros da Saúde. Durante o ano passado, assistimos uma campanha inversa, contra a testagem e a imunização. 

Os testes estão guardados em Brasília esperando a validade terminar. Mas em Portugal, o Governo garantiu que  880 surtos do Covid-19 foram prevenidos por conta da testagem.

Em julho de 2018, a revista Veja publicou uma entrevista com o infectologista Michael Decker, professor de medicina preventiva da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

“Apesar de terem salvado milhões de vidas ao longo de várias décadas, nos últimos anos as vacinas foram alvo de duas injustiças: enquanto alguns se esqueceram de sua importância, outros passaram a acusar os imunizantes de provocarem efeitos colaterais gravíssimos.

Por que as pessoas estão deixando de se vacinar?

Em primeiro lugar, precisamos entender os motivos que levam a sociedade como um todo a adotar essa postura. Será que o problema é a disponibilidade dessa vacina? Ou o povo simplesmente decidiu não tomar mais as doses recomendadas? É preciso entender qual o peso de cada fator para, a partir daí, iniciar as ações que revertam esse cenário.

E como podemos combater grupos anti-vacina ou as notícias falsas que circulam na internet?

Esse é um fenômeno recente que devemos encarar com toda a seriedade. Trata-se de um comportamento bizarro, pois os movimentos contra a vacinação são mais fortes nas regiões ricas e bem instruídas dos Estados Unidos e de alguns países da Europa.

Ora, essas pessoas estudaram e tiveram a oportunidade de saber quanto as vacinas foram e são essenciais para se proteger das doenças. No Brasil, acredito que esse padrão se repita: enquanto em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo esses grupos podem ter mais influência, nas regiões remotas da Amazônia talvez a dificuldade seja justamente o acesso aos programas de imunização mesmo.

E como convencer novamente essas pessoas de que as vacinas são importantes não apenas para a saúde delas, mas para toda a comunidade?

Sabemos que nessa área de imunização, nosso trabalho nunca vai terminar. Tem sempre uma nova criança prestes a nascer que vai precisar tomar as vacinas. Como professor, preciso reforçar com meus alunos a importância disso a todo momento.

Por outro lado, é natural que as pessoas tenham dúvidas em relação às vacinas. Quantas doses? Qual idade? Posso tomar todas uma única vez? É responsabilidade das autoridades em saúde passar essas informações de forma simples e clara.” 

Thereza Christina Pereira Jorge 

 

Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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