Quando só restar o Humor …

O jornalista (“monstro sagrado” da mídia nova-iorquina), Michael Kinsley, 65 anos, envelheceu precocemente por conta do Mal de Parkinson. Esse texto é parte de um grande artigo de outro jornalista, Timothy Egan, do The New York Times, seu colega.  Kinsley não deixou de trabalhar. Escreveu um guia para envelhecimento. E o melhor, continua bem-humorado. 
‘Michael Kinsleyestá envelhecendo. O editor dentro dele, aquele que segura as rédeas de The New Republic, Harper’s e Slate, se tivesse por algumas horas a chance de comandar The New Yorker, melhoraria a revista …
Quando conheci Kinsley, em 1996, ele acabara de se mudar para Seattle para começar Slate, a revista online. Havia muitas razões para odiá-lo: formado em Harvard, acadêmico de Rhodes, editor de sucesso ainda jovem, apresentador do programa Crossfire da CNN, capa da Newsweek… 
Calculei que não ficaria seis meses. Certamente, morreria fora da biosfera de retórica vazia de Washington. Uma década depois, ele ainda estava em Seattle. Havia encontrado o amor verdadeiro, sua mulher, Patty Stonesifer – que se dedicou à filantropia e atividades públicas após uma carreira de sucesso na Microsoft. 
Sempre pensei nele como um cérebro altamente evoluído habitando um corpo indefinido, um E.T. sagaz. Mas então ele aprendeu a acampar nas Cascade Mountains, a andar na neve, nadar no Lago Washington durante o inverno – e a construir um iglu. Tudo isso com Parkinson, de que soube ser portador aos 43 anos. 
Em seu livro Old Age – A Beginner’s Guide (Velhice – um guia para iniciantes) ele propõe aos boomers que sejam altruístas, sugerindo como sua derradeira contribuição para o futuro o pagamento da dívida nacional, e antes de o último dessa geração completar 65 anos, em 2029. 
Boa tentativa. Nunca aconteceria. A contribuição de Kinsley para a onda de novos livros, espetáculos e antídotos milagrosos contra a velhice é a abordagem que faz dela. Onde outros se acovardariam, se lamentariam, chorariam, Kinsley faz piada. Como quando, após passar por uma cirurgia de nove horas no cérebro, disse aos amigos, numa demonstração de que seu raciocínio e ironia continuavam afiados: “É claro que, quando se diminuem os impostos, a arrecadação do governo sobe. Como não pensei nisso antes?” 
Parece fácil para ele dizer coisas assim, mas na verdade não é. Os remédios para o Parkinson o deixam livre de sintomas por horas, mas aí ele começa a ficar meio endurecido, como o Homem de Lata de O Mágico de Oz quando fica sem óleo. Ele também admite que nos últimos anos perdeu um pouco da acuidade mental. 
Kinsley prevê que 28 milhões de boomers devem desenvolver Alzheimer ou alguma outra forma de demência – nada para se fazer piada. “A demência lembra uma derradeira parada, particularmente humilhante, na estrada da vida”, escreveu. “Nela não cabem estilo ou dignidade.”
Mas Kinsley sempre consegue uma sacada engraçada. Eu o vi esta semana diante uma grande plateia na prefeitura de Seattle. Estava em plena forma. Quando lhe perguntaram, no fim da noite, o que se poderia levar de seu livro ele parou, olhou com aquele seu olhar inquisidor de coruja e respondeu: “Muitos exemplares”. ‘
Tradução de Roberto Muniz
Compacto do Estadão 


Thereza Christina Pereira Jorge

Iniciamos com Viva com Beleza Envelhecimento Ativo há 10 anos. E estamos aprendendo a Arte de Envelhecer, e que Arte difícil! O site trata da descoberta do meu Envelhecimento Ativo. Consultoria em Envelhecimento Ativo [email protected] Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Estudo há sete anos e Envelhecimento Ativo e escrevo sobre isso. Primeiro no blogue Viva com Beleza e agora no site Arte de Envelhecer. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. O site _ https://www.artedeenvelhecer.com.br _ é muito autobiográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver. Tenho apreciado (às vezes) o meu envelhecer.

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