Seu bairro é hostil ou Amigo do Idoso?

março 2, 2021 0 Por Thereza Christina Pereira Jorge

 

Instalar pedras sob viadutos, chuveirinhos que borrifam água sob marquises ou espetos de aço sobre superfícies impedindo o uso do espaço público são atitudes que simbolizam a hostilidade social para com as pessoas em geral mas, especialmente, idosos, moradores de rua e cadeirantes.

Como criar espaços na cidade dedicados à terceira idade e envolver a população idosa na discussão sobre eles? Uma pista para compreender a complexidade dessas questões pode ser encontrada no projeto Bairro Amigo do Idoso, realizado na Vila Clementino em uma parceria do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo(CEE-Unifesp), o Instituto de Saúde e a Prefeitura da capital paulista.

Baseado na iniciativa Cidade Amiga do Idoso, da Organização Mundial da Saúde(OMS), o bairro da zona sul de São Paulo foi escolhido para ser adaptado às necessidades dessa população, no que diz respeito à integridade física, emocional e social e à mobilidade do cidadão da terceira idade. O projeto tem o objetivo de estimular o envelhecimento ativo e promover qualidade de vida à medida que os habitantes do bairro envelhecem.

Na mesma cidade de São Paulo, um “Dom Quixote” de batina, tentou destruir a marretadas as ”pedras da injustiça. O Padre Júlio Lancelotti, literalmente, quebrou a marretadas as pedras instaladas sob os viadutos Dom Luciano Mendes de Almeida e Antônio de Paiva Monteiro, localizados na Avenida Salim Farah Maluf, zona leste de São Paulo

Vila Clementino

O projeto Bairro Amigo dos Idosos se inspira no Protocolo de Vancouver, desenvolvido para apoiar grupos que querem avaliar características amigas aos idosos de uma determinada localidade, com o intuito de identificar áreas para ação.

O projeto então realizou um inventário sobre os serviços públicos das áreas de saúde, educação, meio ambiente, assistência e desenvolvimento social, transportes, obras e vias públicas, segurança e justiça, além de organizações privadas, não-governamentais e comunitárias.

“As possibilidades de identificar espacialmente as carências pode gerar importantes impactos no desenho e na focalização de políticas públicas”, acreditam os organizadores do projeto. As informações coletadas passam por um processo de georreferenciamento, e a iniciativa criou um mapa virtual  em que se encontram os equipamentos públicos e privados do bairro que estão à serviço da terceira idade.

A participação social também é valorizada. Os interessados em participar das discussões são divididos em grupos que dão voz aos idosos, estimulando que eles próprios analisem e expressem sua condição a partir de suas experiências com o bairro.

“Precisamos mudar a atitude perante o idoso”, aponta Ramos. “Todo mundo quer viver o máximo possível e, ao mesmo tempo, fala mal da velhice. A terceira idade precisa ser almejada e valorizada.”

O geriatra Luiz Roberto Ramos, diretor do CEE-Unifesp, que coordena o projeto, afirma que o primeiro passo dado pela iniciativa foi reconhecer aquilo que já existia e aquilo que faltava no território. “Para desenvolver essa noção de bairro amigo, é preciso entender o local para então transformá-lo.”

O professor de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Emilio Moriguchi, que pesquisa sobre longevidade, reforça que o segredo para uma vida longa é multifatorial. Um estudo publicado na revista científica Nature apontou que 50% está associado ao estilo de vida (nutrição, atividade física, repouso, lazer etc), 20% ao ambiente, outros 20% à genética e 10% a avanços da tecnologia e da medicina. O ambiente, explica Moriguchi, não é o lugar em si, mas as boas companhias, a interação social, as amizades e a família.

 

Catraca Livre, Gaúcha ZH, jovempan.com.br, pesquisa