Demitida no ano passado com a justificativa de que a empresa estava passando por uma reestruturação, Raquel Maria de Camargo Oni cadastrou imediatamente seu currículo em sites de divulgação de vagas de emprego. Sem obter o retorno esperado, pela primeira vez passou a considerar que a idade poderia estar pesando contra.

Com 49 anos no momento da demissão, pós-graduada em controladoria e com MBA em gestão tributária, Raquel acredita que preenchia os requisitos necessários para as vagas às quais se candidatava. Mas não foi chamada para entrevistas ou recebeu retornos negativos dos contratantes.

“Não existia um motivo justificável. Comecei a perceber que, apesar de não ser dito abertamente, a minha idade passou a ser uma questão”, acredita Raquel.

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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente ao terceiro trimestre de 2018, mais de 12 milhões de pessoas estão desocupadas no País. Dessas, 22% têm entre 40 e 50 anos; e quase 3% têm acima de 60 anos.

Mas se há empresas que podem ter resistência para contratar profissionais com mais tempo de carreira, há também as que procuram justamente por eles.

“A diversidade etária é tão importante quanto as outras. Se todas as pessoas da equipe são jovens, elas têm a tendência de pensar da mesma maneira”, acredita Mórris Litvak, presidente da MaturiJobs, uma plataforma especializada em reunir vagas para profissionais acima dos 50 anos.

Foi por meio da MaturiJobs que Raquel encontrou a posição para analista financeiro administrativo na empresa Inovação em Cidadania Empresarial (ICE), função que exerce há três meses.

Habilidades. De acordo com a professora do curso de pósgraduação em gestão de pessoas da Faap, Claudia Carraro, muitas empresas buscam profissionais que aliem conhecimento técnico com inteligência socioemocional, que recebem bem os feedbacks, têm autocontrole diante de situações desfavoráveis e sabem dizer “não”, além de cultivar bom relacionamento com os colegas. E os profissionais com mais tempo de estrada, em geral, têm mais chance de trazer essas habilidades na bagagem.

Foi em busca de um time com essas competências que a Go Ahead, empresa especializada em desenvolvimento de líderes de venda, investiu na contratação de consultores com idade entre 40 e 59 anos.

“É preciso ter olhar humano. A experiência é capaz de antecipar situações difíceis. E isso não se encontra nem na tecnologia nem no método”, pontua a presidente da Go Ahead, Tatiana Vidal.

Como carregam anos de experiência, antes de saírem a campo, os consultores passam por um treinamento para se alinharem com a metodologia da empresa, assim evitam vícios de trabalhos antigos.

Institucional. Existem ainda empresas que possuem projetos específicos para contratação de profissionais acima dos 50 anos.

A multinacional PepsiCo criou o programa Golden Years, implementado desde 2016 de forma gradual em todas as unidades da multinacional localizadas na América Latina. Para participar do projeto, não é preciso ter formação em cursos técnico ou de ensino superior.

No Brasil, foram contratados 80 funcionários na área de operações oriundos do projeto, com distribuição de 73% homens e 27% mulheres.

O Estado de São Paulo Digital

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Sobre mim

Meu nome é Thereza Christina Pereira Jorge, sou carioca, mãe de dois filhos, jornalista. Fui repórter-editora nos jornais O Globo e sucursal Rio de O Estado de São Paulo. Trabalhei nas revistas femininas da Editora Bloch e na revista Isto É, também na sucursal. Sou formada em Ciências Sociais pela UFRJ. Este blog é muito biográfico porque estou descobrindo e praticando o que a OMS definiu como Envelhecimento Ativo. Amo a vida e o viver.