O toque de Midas de Costanza Pascolato

Autor(a):

Costanza Pascolato , 80 anos, é a expressão em carne e osso da Arte de Envelhecer. Ela é chique mesmo sem querer. Tem o  “Toque de Midas”
em se tratando de moda.

Aqui, nesse compacto de duas entrevistas que concedeu  ao Estadão em seu apartamento em Higienópolis, SP, para apresentar, em primeira mão, os modelos de óculos que desenvolveu para a GO Eyewear. Ela é diretora criativa da Anima Eyewear, primeira marca de luxo do grupo, que foi lançada , com festa na Casa Museu Emma Klabin.

Mais reclusa, herança da pandemia, período que ficou dezoito meses sem sair de casa, ela analisa os reflexos da sociedade pós-pandêmica na moda. “Cada passo que a moda dá, ela fica mais inclusiva, tem que ser assim, não adianta lutar contra. É um movimento absolutamente irreversível.

Como vê o cenário da moda pós pandemia?

Existe roupa e existe moda. Roupa é para cobrir o corpo, moda é atitude. A moda de luxo ainda tem relevância, são grandes empresas, com capital, se sustentam mesmo diante de uma pandemia. Aliás, eles se transformaram na pandemia através de estratégias. A campeã de luxo de estratégia foi a Kering. A Balenciaga nunca foi tão falada quanto nesse período, a Gucci também. Mas um exemplo espetacular dessas estratégias foi a Louis Vuitton ter comprado a Tiffany & Co. e colocado a Beyoncé e o Jay-z como símbolo da empresa, tida como tradicional nos EUA.

A elite continua a ditar o que é moda?

Vi passar várias pseudo elites na moda. Lembra da época do ‘normcore’, um vestir mais básico, era a época do Vale do Silício, o modelo clássico era o Steve Jobs, ele ditava a moda, era a elite do momento. Depois a elite da moda passou para um lugar mais democrático ainda, que é a rua, o inclusivo. Cada passo que a moda dá, ela fica mais inclusiva, tem que ser assim.

No livro A Elegância do Agora,a italiana de Siena fala sobre a trajetória de 80 anos, da infância “arteira” à consagração como “papisa” do lifestyle brasileiro.

Quando menina, Costanza Maria Teresa Pascolato era chamada pelos pais de “arteira”. Tinha dislexia, repetia de ano, cabulava aulas “para ir ler no cemitério”. Mais tarde, já adulta, era chamada pelos amigos de “dondoca” – muitos deles estranharam sua decisão de ir procurar emprego numa revista de moda. Hoje, o tom é bem outro. Aclamada e bem-sucedida, a italiana de Siena que veio para São Paulo ainda menina é reconhecida na lifestyle brasileira como uma “papisa” ou “imperatriz” da moda.
Os três momentos contam muito dos 80 anos de Costanza – que fala deles e de si própria no recém-lançado livro A Elegância do Agora. O quadro se completa com sua própria visão de quem é: “Eu tenho jeito para moda. Meu olhar sempre foi voltado para a estética. Descobri isso desde menina”. De tudo o que viveu, o que incluiu enfrentar o câncer duas vezes e uma profunda depressão quando morreu seu segundo marido, em 1990, ela conta à coluna: “Fiquei disciplinada. É uma questão de sobrevivência”.

Ficou bastante reclusa na pandemia e está saindo menos, como foi esse processo para alguém tão ativa como você?

Fui radical porque quando temos 80 anos nossa imunidade já não é a mesma. Moro em uma casa confortável, minhas funcionarias moram comigo, uma está há 32 anos aqui, e a outra há 25. Na verdade, fiquei praticamente dezoito meses enfurnada em casa, mas nunca deixei de fazer pilates, fazia online, faço pilates desde 2001. E caminho todo o santo dia da minha vida, e durante a pandemia também caminhei, fazia 3,5 km na garagem do meu prédio. Continuo saindo pouco, ainda uso máscara, o lançamento da minha linha de óculos, amanhã será meu primeiro grande evento.

Há quanto tempo usa óculos e por que adotou o acessório como marca registrada?

Foi quando comecei a não enxergar (risos). Tenho uma questão de imagem muito forte, que trabalhei e conservo, tomo muito cuidado para não exagerar, não aparecer demais, nem de menos, faz parte da minha profissão.

Publicamente sempre aparece de lentes escuras, não usa lentes claras?

Uso quando estou em casa, para trabalhar, mas na rua só escuras, tenho fotofobia, fico até cega por uns segundos com a luz. O engraçado que nas minhas pesquisas de desenvolvimento de produto, descobri que se vende 70% mais óculos de grau do que de sol, e quero vender muito, como sempre.

Qual seu recado para ser uma pessoa leve como você?

Não somos nada sozinhos. Sempre que trabalho em equipe gosto de trocar com as pessoas, sempre aprendo alguma coisa, ensino e todos saem ganhando. É tão mais agradável ter essa troca, do que ser aquele que fica fechado, agressivo, morrendo de medo. Porque quem é agressivo está com medo. Tem um filósofo desses modernos que fala que são só os cachorros pequenos que latem alto (risos). •

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *